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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

David Coimbra: o Muro Sem-Vergonha.


O fim da polêmica
David Coimbra: o Muro Sem-Vergonha

Por: David Coimbra
19/10/2015


O Muro da Mauá, que já foi chamado de Muro da Vergonha, esse muro, eu o transformaria no Muro Sem-Vergonha. 
Porque seria para trás dele que transferiria toda a chamada "noite forte" de Porto Alegre, com seus ardores e seus sem-pudores.
Toda a gente da noite, que não liga para preconceito, que tem as estrelas na alma e a lua dentro do seu peito, toda essa gente escorreria para trás do muro, e lá eles se refocilariam, se repoltreariam e espadanariam, como doces vampiros, do deitar ao levantar do sol.
Esses bares e boates da Cidade Baixa, essa gente da vida cansada, que ergue seu mundo na madrugada e que vive às turras com os moradores pais de família, que precisam do silêncio para repousar a fim de acordar cedo no dia seguinte, esses bares e boates, eu, se fosse prefeito, ofereceria algumas isenções a eles para que aceitassem a transferência, e creio que aceitariam de bom grado.
Que bela noite seria, a da capital de todos os gaúchos.
O muro protegeria os noctívagos. 
Porque, havendo apenas dois ou três acessos, ficaria fácil de fazer a segurança. Meia dúzia de brigadianos e mais dois ou três agentes da EPTC manteriam facilmente a paz. 
E, como não há ninguém residindo na vizinhança, a noite se estenderia até que a Estrela D'Alva no céu despontasse e a lua tonteasse com tamanho esplendor.
Mais: o número de acidentes com motoristas bêbados diminuiria drasticamente, porque seria quase impossível alguém sair de lá dirigindo alcoolizado sem ser visto pelos azuizinhos.
A melhor noite do Brasil, é no que se transformaria a noite à beira do rio que não é rio.
Os que querem shopping no cais e os que querem lojinhas de artesanato e os que não querem nada, todos seriam contemplados e estariam sorridentes, como convém a uma autêntica Cidade Sorriso.
E o Muro... ah, o Muro, que uns acham útil por temerem cheias, que outros acham inútil por considerá-lo devassável, que mais alguns, por fim, querem atorá-lo ao meio para contentar a estes e aqueles, o Muro poderia ser decorado e suavizado pelos nossos talentosos grafiteiros e, ao raiar do sol, quando raiam também as desilusões, quando os amores rotos se mostram inconsúteis, quando o remorso sucede ao arroubo, ao raiar do sol, o Muro Sem-Vergonha serviria como Muro das Lamentações, e, em vez de preces, agradecimentos e pedidos à 
Divindade, seria tapado por cartas de amor, e seria lindo, que até um muro pode ser lindo.

post: Marcelo Ferla


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