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sábado, 21 de julho de 2018

DESENHO É SÓ PRA CRIANÇA?


DESENHO É SÓ PRA CRIANÇA?
A Netflix anunciou o lançamento de uma série de animação brasileira chamada Super drags, e que chega à plataforma de streaming em maio:


O que sabemos sobre a primeira de animação original da Netflix produzida no Brasil? 
A história tem como protagonistas os personagens Patrick, Donny e Ramon, que durante o dia trabalham em uma loja de departamento e, à noite, tornam-se Lemon Chiffon, Safira Cian e Scarlet Carmesim
As super-heroínas drags têm a missão de reunir a comunidade LGBT e “espalhar purpurina pelo mundo”. 
Serão 5 episódios. 
O que já podemos perceber pelo trailer? 
É uma animação direcionada aos adultos, e não é a primeira do gênero a existir. 
Obviamente Os Simpsons não é um desenho direcionados para os pequeninos, assim como Rick & Morty, BoJack Horseman (um cavalo com características humanas que foi famoso na Tv nos anos 1990 e hoje acumula vícios, fracassos e muitas inseguranças) e Big Mouth (a puberdade tratada com  humor e honestidade) são animações gringas disponibilizadas na plataforma e que servem apenas ao usuário adulto.
Já a Sociedade Brasileira de Pediatria parece não estar sabendo que animação, faz tempo, não é só coisa de criança, e divulgou uma nota criticando o conteúdo de Super Drags, que considera impróprio para os pequenos, pedindo que a série seja cancelada antes mesmo de ir ao ar.
A SBP diz que não se pode “utilizar uma linguagem iminentemente infantil para discutir tópicos próprios do mundo adulto”
A Netflix Brasil explicou que a animação está na plataforma adulta, e não na kids. 
E que a empresa oferece duas formas para que os pais controlarem o que os filhos podem ou não assistir: o controle parental (senha que precisa ser colocada para qualquer conteúdo que tiver classificação indicativa superior à idade da criança) e o controle individual para títulos (pode-se escolher títulos de séries ou filmes específicos para bloquear).
A classificação indicativa da série Super drags ainda não saiu, pois a série ainda não está concluída, mas já sabe-se que o conteúdo não é infantil.


“A Netflix oferece uma grande variedade de conteúdos para todos os gostos e preferências. 
‘Super drags’ é uma série de animação para uma audiência adulta e não estará disponível na plataforma infantil (Netflix Kids). 
A seção dedicada às crianças, combinada com o recurso de controlar o acesso aos nossos títulos, faz com que pais confiem em nosso serviço como um espaço seguro e apropriado para os seus filhos. 
As crianças podem acessar apenas o nosso catálogo infantil, e nós colocamos o controle nas mãos dos pais sobre quando e a que tipo de conteúdo seus filhos podem assistir”


De acordo com o que foi colocado por Liubiana Arantes de Araújo, neurocientista e presidente do Departamento Científico de Desenvolvimento e Comportamento da SBP, ao GLOBO, a crítica não é em relação à existência de uma série sobre drag queens, mas ao fato de as drags serem colocadas na posição de super-heroínas e representadas em um desenho animado.


“O super-herói faz parte da fantasia infantil. 
A criança tende a ver o super-herói como modelo de comportamento, modelo a ser seguido. 
É preocupante quando se coloca drag queens nessa posição de super-heróis — diz ela. 
— Defendemos a diversidade de gênero, respeitamos as drag queens, mas não podemos banalizar o efeito que que um desenho assim tem no cérebro infantil, que não tem maturidade cognitiva para entender isso. 
Mesmo sendo um conteúdo voltado para adultos, o simples fato de ser uma animação já o torna atraente para crianças.”


Mas o desenho não é pra criança, gente. 
Entende?

Nota da Sociedade Brasileira de Pediatria:

“A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em nome de cerca de 40 mil especialistas na saúde física, mental e emocional de cerca de 60 de milhões de crianças e adolescentes, vê com preocupação o anúncio de estreia, no segundo semestre de 2018, de um desenho animado, a ser exibido em plataforma de streaming, cuja trama gira ao redor de jovens que se transformam em drag queens super-heroínas.
A SBP respeita a diversidade e defende a liberdade de expressão e artística no país, no entanto, alerta para os riscos de se utilizar uma linguagem iminentemente infantil para discutir tópicos próprios do mundo adulto, o que exige maior capacidade cognitiva e de elaboração por parte dos espectadores.
A situação se agrava com o fim da Classificação Indicativa, decretado com sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou inconstitucional o dispositivo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que estabelece multa e suspensão às emissoras de rádio e TV ao exibirem programas em horário diverso do autorizado pela classificação indicativa.
Essa decisão deixa crianças e os adolescentes dependentes, exclusivamente, do bom senso das emissoras de TV e plataformas de streaming, agregando um complicador a mais às relações delicadas existentes no seio da família, do ambiente escolar e da sociedade, de forma em geral.
Isso por conta do risco de exposição indevida desse segmento, por meio de programas, como esse desenho animado, a imagens e conteúdos com menções diretas e/ou indiretas a situações de sexo, de violência, de emprego de linguagem imprópria ou de uso de drogas.
Vários estudos internacionais importantes comprovam os efeitos nocivos, entre crianças e adolescentes, desse tipo de exposição. Ressalte-se o período de extrema vulnerabilidade pela qual passam esses segmentos, com impacto em processos de formação física, mental e emocional.
Sendo assim, a SBP reitera seu compromisso com a liberdade de expressão e com a diversidade, mas apela à plataforma que cancele esse lançamento, como expressão de compromisso do desenvolvimento de futuras gerações.
Além disso, a SBP pede aos políticos que, considerando a impossibilidade de recurso à decisão do STF, reabram o debate sobre a retomada da Classificação Indicativa ouvindo a contribuição dos especialistas, o que permitirá encontrar solução que não comprometa questões artísticas e assegure mecanismos de proteção para o público composto por crianças e adolescentes.“

Não vejo problema nenhum em classificação indicativa, é aliás uma ferramenta importante para que os pais avaliem o material antes de expor aos seus filhos, mas nesse aso estamos falando de uma animação adulta. 
Não é para criança e ponto final. 
Não entendo o pedido de proibição.

post: Marcelo Ferla
fonte: 
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A farra do boi


A farra do boi
Sem o menor pudor, parlamentares estão usando e abusando das verbas e mordomias da Câmara e Senado para promoverem suas campanhas à reeleição, numa autêntica farra com o dinheiro público

Wilson Lima
Em Raízes do Brasil, o historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Holanda define as peculiaridades do brasileiro e seus traços singulares. 
Destaca a grande capacidade que o povo tem de encontrar soluções criativas diante das dificuldades. 
Aquilo que o a cultura popular batizou de “jeitinho”. 
Quando usado para o bem, é uma grande vantagem. 
Quando usado para o mal, porém, o jeitinho vira o caminho para burlar regras e se desviar de condutas. 
É o que estão fazendo os parlamentares na atual campanha eleitoral. 
Além de prepararem pautas-bomba que causarão um prejuízo de mais de R$ 100 bilhões aos cofres públicos, demonstrando que estão pouco se lixando para o futuro dos brasileiros, os políticos olham para o próprio umbigo: buscam alternativas para a redução de recursos provocada pela proibição das doações de empresas às campanhas. 
E uma delas é desviar a finalidade do dinheiro que recebem para exercer a atividade parlamentar. 
Seja para cuidar das suas próprias reeleições ou para ajudar nas campanhas de seus partidos, deputados e senadores têm abusado do uso das verbas disponíveis para passagens aéreas e divulgação do mandato. 
Na maioria das situações, a aplicação do recurso ocorre ao arrepio da lei.
É o caso das romarias à sala-cela de Lula em Curitiba. 
Como o ex-presidente não pode se deslocar pelo país em campanha, a solução encontrada pelos petistas foi inverter o movimento: os políticos do partido tratam de a toda hora viajar ao Paraná a fim de criarem ali algum fato que mantenha o presidiário petista em evidência. 
A arquitetura política dos petistas não sai de seus bolsos: é sustentada com dinheiro público. 
Para chegar a Lula, os parlamentares usam a cota de passagem aérea disponível para cada gabinete, bancada, claro, pelo contribuinte. 
De acordo com os dados do Portal da Transparência do Senado, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), quintuplicou seus gastos com passagens no mês em que Lula foi preso. 
A média de R$ 1 mil por mês, em deslocamentos de Brasília a Curitiba, saltou para R$ 5 mil.
Outros integrantes da comitiva “Lula livre” não ficaram para trás. Durante o julgamento do petista no TRF-4, em Porto Alegre, o deputado Zé Carlos (PT-MA) gastou R$ 4,3 mil no translado São Luís-Porto Alegre-São Luís com dinheiro da Câmara. 
Ele ainda fez refeições por conta do erário enquanto acompanhava o julgamento na capital gaúcha. o deputado Vicentinho (PT-SP) gastou aproximadamente R$ 7,6 mil em passagens nos deslocamentos para Porto Alegre. 
Um detalhe importante: Lula foi julgado em janeiro, mês em que a Câmara dos Deputados encontra-se em recesso.O mau exemplo vem de cima. 
Presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (MDB-CE), distorcem a regra que permite o uso de jatinhos da FAB para seus deslocamentos. 
Maia rechaça a utilização para fins eleitoreiros dos aviões da Aeronáutica. 
Diz que o objetivo é o de cumprir apenas “agendas políticas”. 
Nada menos que 52 somente em 2018. 
Mas o conceito de compromisso político de Rodrigo Maia é como coração de mãe: nele, cabe de tudo. 
Por exemplo, a bordo do jatinho da FAB, o presidente da Câmara foi a Vitória no dia 10 de janeiro para participar de “Solenidade de Liberação de Recursos para o Estado e municípios do Espírito Santo”. 
Também esteve em Foz do Iguaçu, no Paraná, para o “3º Simpósio Nacional de Varejo e Shopping”. 
Na lista de viagens, também foram registrados vôos para Campina Grande (PB), Petrolina (PE), Uberaba (MG) e Cabo Frio (RJ).O uso dos aviões da FAB ainda contribui para que Rodrigo Maia e Eunício Oliveira driblem a legislação. 
Pela linha sucessória, eles deveriam assumir a Presidência da República quando Michel Temer se ausentasse do País. 
Mas isso os tornaria inelegíveis. 
Por isso, ambos arrumam viagens ao exterior toda vez que Temer deixa o País. 
E quase sempre usando os jatos da Força Aérea Brasileira, que, além de transportá-los, abarcam comitivas de assessores.

Ajuda da “viúva”
Quem não tem jatinho, caça com o chamado cotão – outro atalho encontrado pelos parlamentares para conseguir atenuar os efeitos das restrições eleitorais de 2018. 
Trata-se da cota para o exercício da atividade parlamentar (CEAP). 
Somente com passagens aéreas, os gastos em 2018 alcançaram R$ 1,1 milhão na Câmara. 
No Senado, a R$ 3 milhões. 
O pré-candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), por exemplo, gastou R$ 49,6 mil apenas este ano
Na lista de passagens solicitadas por Bolsonaro, estão viagens para Goiânia e Curitiba, onde ele participou de atos políticos em apoio à sua candidatura. 
“A meu ver esses benefícios da verba indenizatória deveriam ser eliminados até mesmo para se tornar justo o processo eleitoral. 
Esses benefícios desequilibram o pleito. 
Inclusive, isso (privilégios do mandato) é um dos obstáculos para que a renovação que a sociedade aparentemente deseja não ocorra”, analisa o economista e presidente da Associação Contas Abertas, Gil Castelo Branco.
Como se não bastasse a superestrutura criada para perpetuar no Congresso aqueles que já ocupam suas cadeiras, as ações de divulgação de mandato também são custeadas com dinheiro público. 
É uma farra. 
Durante os seis primeiros meses do ano de 2018 foram gastos na Câmara aproximadamente R$ 27 milhões com publicidade da atividade parlamentar
No Senado, a rubrica totalizou R$ 1,3 milhão
Entre esses gastos, os deputados federais incluem um pouco de tudo: desde pagamento de provedores de internet de seus sites pessoais, propaganda, custeio de serviços de alimentação de redes sociais, impressão de jornais e criação de vídeos a aluguel de outdoors nos domicílios eleitorais. 
O senador que mais gastou com a divulgação da atividade parlamentar foi Valdir Raupp (MDB-RO): R$ 99,2 mil
Em seguida, Telmário Mota (PTB-RR), com R$ 80,9 mil, e Ângela Portela (PDT-RR), R$ 74,6 mil
Uma revista produzida pelo senador Jorge Viana (PT-AC) chama a atenção pela sua qualidade: papel cuchê e fotos de Sebastião Salgado. 
Impressa pela Gráfica do Senado, de acordo com dados do portal da Transparência, o custo de seu projeto gráfico ficou em R$ 15 mil.
Outro caso é ainda mais esdrúxulo, não pelo valor, mas para demonstrar que a verba está pronta para assumir qualquer gasto. 

Em abril de 2015, o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra (MDB-RS) entregou nota pedindo o ressarcimento de um combo de pipoca e refrigerante que consumiu em um cinema de Brasília. 
O valor: R$ 26. 
Mais tarde, Osmar Terra voltou para a Terra: alegou que a entrega da nota fora um erro e pediu ressarcimento. 
O problema é que, antes disso, a nota passou batida e foi paga sem qualquer questionamento. 
Ou seja, se o dinheiro da campanha ficou mais curto, a classe política dá o seu jeitinho, como diria Sérgio Buarque de Holanda: pede ajuda à viúva. 


post: Marcelo Ferla
fonte: https://istoe.com.br
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Americana reage a assédio e dá chave de braço em homem


VÍDEO: Americana reage a assédio e dá chave de braço em homem
Imagens de segurança do restaurante mostram o momento do assédio
Em um vídeo, divulgado nesta semana, a norte-americana Emelia Holden reage a ação de um homem que passa a mão em suas nádegas. 
A cena viralizou na internet e chegou a quase dois milhões de visualizações no YouTube.
Ela atendia um cliente no restaurante onde trabalha, na Geórgia, quando, de repente, um rapaz a apalpa. 
Ela, então, puxa o assediador pela camiseta, dá uma chave de braço e o empurra contra um carrinho, dando-lhe um sermão.
Emelia encorajou muitas mulheres, que comentaram a seu favor no Facebook, mas recebeu comentário ofensivos também. 
Em seu perfil na rede social, a garçonete agradeceu pelo apoio, mas disse que não quer mais falar sobre o assunto.


“Eu agradeço as palavras gentis que recebi de todos, mas agradeceria também se as pessoas parassem de me marcar no vídeo. 
Eu sei o que aconteceu, estava lá. 
Aliás, eu não estou, repito, não estou interessada em dar entrevistas sobre o assunto. 
O que aconteceu, aconteceu. 
Ele recebeu o que merecia e só quero seguir minha vida”, escreveu.

post: Marcelo Ferla
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Depois de pós-doutorado na Inglaterra, biólogo vira figurante e tenta bico de modelo nu


Depois de pós-doutorado na Inglaterra, biólogo vira figurante e tenta bico de modelo nu para se sustentar no Brasil
Juliana Sayuri
De São Paulo para a BBC News Brasil
O zoólogo Rodrigo Rios estudou nos EUA e fez pós-doutorado no Reino Unido; mesmo assim, continua desempregado no Brasil
"Não tinha mais nenhum real na conta", lembra o biólogo paranaense Rodrigo Fernando Moro Rios, de 32 anos.
Graduado em ciências biológicas, mestre e doutor em zoologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), ele estudou na Universidade de Illinois, nos EUA, e fez pós-doutorado na Universidade Durham, na Inglaterra, em 2015.
Ainda é pesquisador associado do Departamento de Antropologia da instituição inglesa, mas, desde que retornou ao Brasil, em 2016, o zoólogo trabalhou como garçom, barman, figurante de filmes, entregador de Uber Eats e se ofereceu para ser modelo nu em cursos de arte.
Rios não está sozinho. 
Assim como o biólogo, muitos jovens doutores brasileiros enfrentam dificuldades de inserção no mercado e vivem num limbo profissional.
"Sou forçado a uma série de atividades, de barman a professor de surfe, para muitas vezes conseguir menos que o equivalente a um salário mínimo por mês", diz o cientista.
Atualmente, o salário mínimo no país é R$ 954.

Investimento
Nascido em Cascavel, mas residente em Curitiba, Rios desenvolve estudos sobre primatas modernos.
O biólogo dedicou mais de dez anos à sua formação acadêmica, de 2003 a 2015, emendando pesquisas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, com bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
"Vi como um plano de carreira, pois a ciência satisfaz minhas aspirações profissionais. 
Era um caminho certo, estável. Pensei que poderia atuar como biólogo profissional ou professor, mas, depois que voltei da Inglaterra, isso se provou um erro", conta.
Entre o doutorado e o pós-doutorado, ele fez trabalhos técnicos e estudos de impacto ambiental relacionados, por exemplo, a fauna silvestre, mineração e terras indígenas.
Antes de retornar ao Brasil, o pesquisador prolongou o estágio pós-doutoral na Universidade Durham: pediu 12 meses de prorrogação, mas obteve seis meses apenas. 
Seu projeto de pesquisa foi considerado promissor, mas inviável por uma questão técnica.
Rodrigo Rios mescla aulas com trabalhos completamente distantes de sua área de formação
De volta ao país, cumprindo as regras atuais das agências federais, ele pretendia dar continuidade à investigação científica com apoio do programa Jovens Talentos, voltados para pesquisadores de áreas prioritárias do programa Ciências Sem Fronteiras, uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Ministério da Educação.
Porém, prestes a se mudar para Florianópolis para realizar essas atividades na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o programa foi cancelado. 
"Estava tudo certo, mas a bolsa deixou de existir", lamenta.
"Fiquei muito inseguro. 
A rede de contatos para consultoria ambiental, que eu tinha construído antes, começou a se desmanchar. 
Não tinha informações sobre outros pós-doutorados. 
Não tinha concursos abrindo."
Rios conseguiu contratos temporários como professor visitante em universidades particulares paranaenses, como a Faculdade Assis Gurgacz (FAG), em Toledo, e a Uniamérica, em Foz do Iguaçu, ministrando cursos de curta duração.
Atualmente associado como pesquisador à Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, e à Universidade Durham, continua atuando como cientista, oferecendo cursos de extensão, orientações e palestras, sem receber remuneração ou ajuda de custo.
Segue ainda escrevendo artigos para publicações acadêmicas, que contam pontos nos processos seletivos para docente de ensino superior, e está escrevendo um livro de biologia intitulado Longas Caminhadas, Sombra e Água Fresca: As Raízes Evolutivas de Nosso Bem-estar.
"Estou mandando currículo para tudo que é lado, procurando várias opções de área para não perder nenhuma oportunidade."

Bicos
Sem oportunidades na área em que se especializou, Rios teve de buscar outras alternativas para se sustentar.
"No fim do ano passado, não tinha disciplina para dar, não tinha consultoria. 
Não tinha dinheiro. 
Morava sozinho desde o fim da graduação; agora, voltei para a casa da minha mãe. 
Eu tenho uma mãe e um teto – sei que tem gente não tem nem casa nem família, mas não penso que é papel dela ficar me sustentando a essa altura", considera.
Foi neste contexto que o pesquisador passou a fazer freelance como barman num bar de Curitiba, entregar encomendas via Uber e dar aulas de surfe na Ilha do Mel, no litoral paranaense. 
Também tentou dar aulas de inglês num cursinho e se inscreveu para uma vaga de secretário em uma empresa de engenharia.
No meio tempo entre as disciplinas ministradas, que duram apenas uma ou duas semanas, ele continua contando com "bicos".
"Já fiz, ou busco fazer, um pouco de tudo desde que defendi minha tese, fora lecionar, publicar e orientar. 
Fui figurante de cinema, graças a um colega meu, também doutor em zoologia, que virou câmera. 
Outro colega, que trabalha com marketing digital, está fazendo curso de pintura. 
Precisa de modelo? 
Topo. 
Afinal, mesmo doutores, às vezes a gente não ganha R$ 100 por quatro horas (de trabalho)", relata.
Rios se dispôs a posar nu para um curso de pintura, mas ainda não acertou a data. 
O último trabalho artístico do biólogo foi uma figuração para uma série investigativa gravada em Curitiba, na qual desempenhou três papéis diferentes num bar: 
"Um fingia que estava tomando uma cachaça lendo o jornal; outro estava com a namorada na mesa; outro estava conversando com um amigo no balcão. 
Ganhei R$ 80 por cerca de 11 horas de trabalho".
Em meados de junho, o pesquisador levou uma turma de alunos do Centro Universitário Campos de Andrade (Uniandrade) para trabalho de campo, parte de um curso de método de inventário de fauna, que ensina técnicas para posicionar armadilhas de pequenos mamíferos, montar pontos de observação e reconhecimento de rastros de animais.
"São altos e baixos. 
Fico animado com a interação com os alunos, é o que me motiva. 
Mas fico ressabiado porque várias vezes não deu certo (a contratação nas universidades). 
Não desconsidero nada. Sabe aquele negócio 'fazer minha arte e vender na praia'? 
Sei fazer camiseta com técnica de estêncil, talvez faça para levar a uma feirinha de Curitiba."
O biólogo encontrou espécie de arraia que achou em poça na Praia Brava, em Arraial do Cabo
O biólogo não menospreza outras ocupações, mas afirma que seu potencial está sendo subutilizado nos trabalhos informais.
"Uma subutilização de tanto investimento, tanto dinheiro público, tanto tempo e dedicação para se formar um cientista que vai para outra atividade porque não tem inserção no mercado. 
É horrível pensar que todo esse investimento não serviu para nada."

Competitividade
Neste ano, o biólogo ministrou a palestra "Seria a Natureza Humana Competitiva?" para estudantes na UFPR e na UNILA.
"A natureza é competitiva, mas também é cooperativa e empática. 
Se há desequilíbrios na competição, rompem-se as relações essenciais da cooperação. 
Como fenômeno biológico, a competição é relacionada à disponibilidade de recursos. 
Menos recursos, mais pressões, o que leva a interações negativas. 
Isso acontece no mundo natural, e está acontecendo no mundo acadêmico. 
É a lógica do ditado: se a farinha é pouca, meu pirão primeiro", comenta.

"Não concordo com a ideia: 'se você tentar ser forte o suficiente, você consegue e o resto é mimimi'. 
Não é assim que funciona, ou que deveria funcionar."

Participando de processos seletivos para instituições de ensino superior, o pesquisador também enfrenta dificuldades com a concorrência acirrada. 
Segundo sua leitura, muitos editais são ambíguos e complexos, por falta de informação ou de transparência nas seleções.
"Além disso, preciso botar na ponta do lápis o quanto custa para viajar para prestar concurso. 
Deixei de ir a uma seleção em outro Estado, pois o edital previa a prova escrita num dia e a prova didática dois meses depois. 
Cada viagem custaria mais de R$ 2 mil, é totalmente inviável. 
Outros processos só aceitam inscrição presencial e não tenho condições, não tenho R$ 500 para viajar a outra cidade só para me inscrever. 
Atualmente, só tenho gastos tentando encontrar trabalho", diz.
Para aprimorar o currículo para as seleções, o pesquisador diz que está priorizando periódicos acadêmicos que contam mais pontos nas avaliações. 
"A gente entra em uma lógica de produtividade a qualquer custo, para ter uma voz maximizada pelos números e não necessariamente pela relevância ou pelo interesse científico", diz.
"Sempre pesquisei macacos, mas tive a sorte de encontrar uma espécie de arraia em uma poça de maré na Praia Brava, de Arraial do Cabo (RJ). 
Nós, biólogos, sempre olhamos para os bichos à nossa volta. 
Sete anos depois dessa viagem, postei essas fotos e uma amiga especialista na área me procurou, dizendo que eu tinha registrado um episódio raro e de muito interesse científico. 
Não é minha área, mas estou escrevendo um artigo para a revista Fish Biology, de alto fator de impacto", exemplifica.
As pressões sobre jovens doutores brasileiros também envolvem a imagem de "eterno estudante", que se resume na máxima "só estuda, não trabalha". 
"Ouvi outro dia em uma reunião profissional: 'você tem 32 anos, veja só, doutor, pós-doutor, nunca trabalhou, não?' 
Me surpreende que as instituições não considerem um pesquisador como um profissional. 
Sou cientista, é claro que estou sempre estudando", responde.
"Lemos notícias sobre os níveis de ansiedade e depressão no doutorado, e depois do doutorado? 
As pressões podem ser bastante perigosas para a saúde mental dos acadêmicos. 
Tivemos um desenvolvimento sem precedentes na formação de doutores nos últimos anos no Brasil, mas que não foi acompanhado por uma compreensão sobre o papel desses doutores depois de formados", adiciona o biólogo.
Segundo um estudo publicado recentemente na Nature Biotechnology, por exemplo, os pós-graduandos têm seis vezes mais chance de desenvolver depressão e ansiedade do que a população geral.
Em busca de outros projetos e oferecimento de cursos, Rodrigo teme desistir de vez da ciência. 
"Não tenho nada fixo e não sei como vai ser amanhã. 
Se nada der certo, vou trabalhar num cruzeiro, vou tentar dar mais aulas de surfe, vou viver a vida. 
Fazer o quê?"

post: Marcelo Ferla
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'Ilha dos Cachorros' tem visual impecável, mas é um dos piores filmes de Wes Anderson;


'Ilha dos Cachorros' tem visual impecável, mas é um dos piores filmes de Wes Anderson; 

Diretor americano de 'O Grande Hotel Budapeste' lança sua segunda animação no Brasil
Por Braulio Lorentz, G1

Visualmente, "Ilha dos Cachorros" é impecável. 
Quem quiser encontrar beleza no lixão e em briga de cachorro com tique nervoso vai se esbaldar.
Filme do Wes Anderson é assim mesmo: detalhismo e rigor fazem parte de uma filmografia que chegou ao auge com "O Grande Hotel Budapeste", de 2014.
Mas e a história? 
Qual o impacto pós-sessão? 
Uma metáfora canina óbvia resume: "Ilha dos Cachorros" é daqueles que latem sem parar, mas não dão sequer uma boa mordidinha.
Temas como xenofobia, polarização e militarização são empilhados na trama, mas são quase nada desenvolvidos. 
A parte boa do roteiro é fazer rir com uma sacada atrás da outra.
Uma personagem ativista chamada Yoko Ono é dublada pela Yoko Ono, a maioria das falas em japonês não tem tradução e por aí vai.
'Ilha dos Cachorros' é a nova animação do diretor Wes Anderson (Foto: Divulgação)


Quem é fã, claro, vai encontrar tudo o que fez o diretor americano de 49 anos ser cultuado:
  • Homenagens bem claras (desta vez, à cultura japonesa, do filme "Os Sete Samurais" ao animador Hayao Miyazaki);
  • Humor non-sense e cheio de silêncios, com personagens excêntricos;
  • Movimentos de câmeras bruscos e muitos closes em expressões faciais;
  • Tudo no cinema dele segue simétrico e, aos metódicos, reconfortante;
  • Na trama, o prefeito de Megasaki resolve banir todos os cães dessa cidade fictífica japonesa. Tirânico e fã de gatos, ele envia os cachorros para uma ilha cheia de lixo. Segundo ele, o objetivo é evitar que o surto de gripe canina prejudique os humanos.

O sobrinho órfão do político não gosta da ideia de perder seu animal de estimação. 
Então, o garoto de 12 anos sai em busca de seu cachorro Spots, acompanhado de outros cães da ilha.
A animação é feita em stop-motion, na qual cada personagem é fotografado quadro a quadro e depois todas as imagens são mostradas em sequência para dar a ideia de movimento.
É a segunda vez que Anderson usa a técnica, após o formidável "O Fantástico Sr. Raposo", de 2009. 
Outra coisa em comum é a trilha, de novo composta por Alexandre Desplat, francês ganhador do Oscar por "A Forma da Água" e "O Grande Hotel Budapeste".
Saudades "Grande Hotel", certamente o melhor na carreira de Anderson. 
Por outro lado, quem procura um pouco mais de profundidade vai botar "Ilha dos Cachorros" na parte de baixo. 
Cena da animação 'Ilha dos Cachorros' (Foto: Divulgação)
post: Marcelo Ferla
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Ainda sobre os 23 manifestantes condenados no Rio de Janeiro.


‘JUNTARAM PESSOAS QUE NÃO SE CONHECIAM E CHAMARAM DE ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA’, DIZ UM DOS 23 CONDENADOS POR PROTESTO
Nayara Felizardo, Tatiana Dias


O PROFESSOR PEDRO Guilherme Freire, de 34 anos, foi condenado nesta terça-feira a sete anos de prisão em regime fechado junto de outras 20 pessoas que participaram de protestos nos anos de 2013 e 2014. 
O juiz Flávio Itabaiana, da primeira instância do Rio de Janeiro, considerou que Pedro e os demais réus fizeram associação criminosa e corromperam menores. Outras três pessoas receberam penas de cinco anos a 10 meses. 
Segundo a condenação, seu papel na “organização criminosa” era o planejamento e a execução das ações diretas. 
As provas são relatos e mensagens que ele trocou com outros réus nos dias anteriores ao ato de 28 de junho de 2014.
Na decisão, o juiz fala sobre a “conduta social reprovável” dos réus, marcada pelo “desrespeito aos Poderes constituídos” – como o Legislativo, que teria sido desrespeitado na Ocupa Câmara – e a ocupação Ocupa Cabral, em que manifestantes acamparam em frente à casa do ex-governador do Rio Sérgio Cabral. 
“É inacreditável o então governador deste Estado e sua família terem ficado com o direito de ir e vir restringido”, escreveu o juiz.
Itabaiana também considerou que os ativistas merecem penas maiores por serem de classe média. 
Segundo a decisão, eles tiveram “oportunidades sociais que a esmagadora maioria dos réus nas ações penais não teve, não podendo sua pena, por conseguinte, ser a mesma que aquela de uma pessoa em situação idêntica, mas com poucas oportunidades sociais.”
Entre os 23 condenados, estão Caio Souza e Fabio Raposo, que respondem em outro processo pelo homicídio do cinegrafista Santiago Andrade, da Bandeirantes, atingido na cabeça por um rojão, e também a advogada Eloísa Samy e a ativista Elisa Quadros, que ficou conhecida como Sininho.
Às vésperas de ter o segundo filho, o professor diz que foi detido em um protesto em 2014 e, por ter sido identificado em uma imagem, foi incluído no processo dos 23. 
Militante da Organização Anarquista Terra e Liberdade, ele diz que conhecia só alguns dos manifestantes que foram condenados junto com ele. 
Apoiada em relatos de testemunhas, a decisão diz que outros dois condenados pertenciam à mesma organização. 
“Esse processo é todo uma arbitrariedade, é todo ilegal, é monstruoso. 
Reúne pessoas que nem se conheciam e chama isso de associação criminosa”, diz. 
Ele contou a sua versão dos fatos ao The Intercept Brasil:
Eu tenho 34 anos, sou professor da rede pública e particular. 
Tenho uma companheira que está grávida. 
Nossa prioridade agora é a chegada da Alice, que vai nascer em uma ou duas semanas. 
Temos uma filha de um ano e sete meses e eu tenho também dois enteados que moram conosco, filhos da minha companheira.
Comecei a participar de manifestações e atos quando eu tinha 14 anos, na escola. 
Meu avô era uma pessoa politizada, ele foi operário de fábrica. 
Nunca chegou a ser um militante político, mas tinha uma visão de esquerda. 
Comecei a ser um militante mais ativo em 2002. 
Foi um professor de geografia do ensino médio da escola que abriu muito a minha visão de mundo.

“Nós somos pessoas normais que estão sendo criminalizadas.”

Em 2004, eu comecei a atuar como educador de jovens e adultos e participei de ocupações dos Sem Teto. 
Eu e alguns estudantes começamos a atuar como apoiadores desse movimento no Rio de Janeiro. 
De 2004 a 2011, foi o maior movimento popular que teve na cidade, que botava mais gente na rua. 
Foi um período de várias ocupações de prédios e a maioria, infelizmente, foi despejada.
Nessa época houve grandes atos, como por exemplo o Grito dos Excluídos, de 2006 e 2007. 
Foi muita gente. 
A gente atuava em uma ocupação de sem teto que ficava na Praça Mauá, e essa ocupação foi despejada. 
Lembro que saímos em 200 pessoas. 
Tinha a Frente de Luta Popular, que mobilizava essas ocupações, e os movimentos de favela, que foram muito importantes durante um período no Rio.

A prisão
Eu fui preso em 2010 quando eu participava como apoiador do Movimento Sem Teto. 
É isso que consta no processo. 
Fui preso pela Polícia Federal com mais seis companheiros. 
Eu respondi ao processo, houve um acordo com o Ministério Público.
Em 2014, eu fui detido em uma manifestação da abertura da Copa. 
Tem uma imagem que ficou conhecida, eu sendo carregado, mas fui liberado após algumas horas. 
Foi por causa disso que eu acabei entrando nessa lista dos 23. 
Só que eu não estava na minha residência quando foram me prender. 
Então, eu fiquei foragido. 
Eu e algumas pessoas ficamos nessa condição.
Até hoje tenho na minha ficha profissional um processo de abandono de emprego por conta dos dias que estive foragido. 
Teve um processo de demissão, mas por conta dos meus próprios alunos eu consegui permanecer no emprego. 
Fizeram uma campanha muito forte pra mim, em 2014, pra eu não ser demitido, e venci.

‘Mentira mal construída’
O grupo dos 23 é muito plural. 
São pessoas que atuavam nas ruas. 
O que esse juiz fez foi juntar pessoas e tentar transformar isso em uma associação criminosa. 
Pessoas que não eram da mesma ideologia, não são da mesma formação política, da mesma trajetória. 
Eram atos que tinham um milhão e meio de pessoas. 
Ele juntou [os 23] para criar bodes expiatórios.
Eu conhecia algumas pessoas [do grupo]. 
Faço parte de uma organização política que é a Organização Anarquista Terra e Liberdade que integrava, na época, a Frente Independente Popular. 
Era uma frente para ação, mas ninguém atuava junto ou convivia, também não era rede de amizades. 
E tinha um outro grupo que era do Movimento Estudantil Popular Revolucionário. 
Então uma parte é de militantes desses grupos e a outra é de jovens independentes que participavam dos movimentos de rua, o Ocupa Câmara, Ocupa Cabral.
A condenação a gente já esperava porque o juiz é um cara extremamente reacionário, um juiz com visão punitiva, que tem trajetória familiar muito autoritária, vem de herança de apoio à ditadura militar. 
Ele já prendeu outras pessoas inocentes.
Mas a gente ficou surpreso com o tamanho da pena. 
Esse processo é todo uma arbitrariedade, é todo ilegal, é monstruoso. 
Reúne pessoas que nem se conheciam e chama isso de associação criminosa, ele usa fatos inventados, como essa coisa que a gente planejava explodir o Maracanã, explodir a Câmara dos Vereadores. 
Ele fez uma série de coisas que mostra bem o que é esse processo. 
Uma mentira mal construída. 
Mas a justiça é dominada por forças e não precisa de muita coisa pra condenar alguém. 
Foi o que aconteceu.
Por exemplo, na denúncia inicial do Ministério Público nem havia o crime de corrupção de menores. 
Isso foi incluído pelo juiz depois. 
Isso fez aumentar a pena para sete anos, e assim pode condenar a regime fechado.
A maioria das pessoas é de estudante e moradores de favela. 
Se for colocar em categoria de classe, é classe média baixa. 
Eu ainda nem tive tempo de ler a sentença, porque como uma pessoa comum, eu tenho meu trabalho, minha vida, meus filhos, tenho que cuidar de casa. 
Eu não conseguir parar ainda.
[Minha companheira] é militante política e somos do mesmo grupo. 
Atuamos no Sindicato dos Profissionais da Educação, que reúne profissionais da rede pública. 
Ela não está no grupo dos 23. 
Tenho uma bebê de um ano e sete meses e tem meus dois enteados, que eu busco na escola, faço comida, porque minha esposa trabalha manhã e tarde e eu trabalho manhã e noite.
Um processo desse tumultua nossa vida. 
É uma agressão muito forte e instaura uma situação de pânico em algumas pessoas. 
Você tem uma ficha criminal e isso te prejudica em milhões de coisas, além da imagem que fica pra muitas pessoas, como se a gente gente fosse alguém violento, criminoso, que não tem nada a ver conosco.
Pensando no futuro, como ficaria a minha vida? 
Minha companheira ficaria sobrecarregada sozinha, cuidando das crianças? 
Nós somos pessoas normais que estão sendo criminalizadas e de uma forma que ataca nossa família inteira.

post: Marcelo Ferla
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