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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Especial Guerra do Vietnã - 50 anos depois



Guerra do Vietnã - Parte XXV


O fim de tudo e a dor dos que ficaram.


Para encerrar definitivamente este especial, não devemos nos esquecer daqueles que foram até lá, em um país diferente, onde notaram estar despreparados, onde notaram que tinham sido enganados, onde conheceram o verdadeiro ser humano que eram, tanto no que se refere as coisas boas que possuíam, quanto em relação as coisas ruins.

A guerra, qualquer que seja tem destas coisas, coloca os que nela estão envolvidos, no limite do ser humano, em todos os sentidos, sentimentos bons e ruins vem a tona, decisões difíceis tem que serem tomadas em segundos, os sentidos ficam aguçados e a humanidade para com seus companheiros, mesmo estando todos em uma guerra, aparece, por incrível que pareça, traçando laços de irmandade que perduram até a morte de seus componentes.

Para os mortos americanos no Vietnã, fora inaugurado no ano de 1982, com o nome de Monumento aos Veteranos do Viatiname, sendo uma obra edificada em Washington-DC, durante o governo do presidente Ronald Regan. 

Em um muro de mármore negro, estão gravados os nomes dos mais de 57 mil soldados americanos mortos em guerra, tudo, para que sejam lembrados pela posteridade. Os nomes dos cerca de 4milhões de vietnamitas militares e civis (em sua maioria camponeses), mortos no conflito, permanecem até hoje no anonimato.

























Washington, DC: Vietnam Veterans Memorial


O Vietnam Veterans Memorial é, além de memorial, uma espécie de símbolo da honra americana, o reconhecimento e homenagem aos que serviram e sacrificaram suas vidas na Guerra do Vietnam...





...mas acabou sendo um “memorial de todos os memoriais”, dedicado à "coragem, sacrifício e devoção de todos os que trabalharam pelo país" ao longo da guerra mais longa dos Estados Unidos.




o preto impecavelmente lustrado e polido em que estão incrustrados os nomes dos 58.000 que morreram naquela guerra.




Em 1980 o Congresso autorizou a formação do The Vietnam Veteran's Memorial Fund, Inc., entidade sem fins lucrativos com o objetivo de arrecadar fundos para a construção do memorial.




25 anos depois de inaugurado , o Vietnam Memorial permanece como o mais visitado de Washington, DC, com mais de 4 milhões de visitantes anualmente.







Estatísticas do Memorial
Cada uma das duas paredes de granito preto mede 75 metros de comprimento se se encontram no centro, em ângulo de 125 graus e as paredes estão suportadas por uma fundação com 140 pilares de concreto. Elas começam baixinhas e vão aumentando de tamanho até encontrarem-se no centro, quando passam a ter a altura máxima de 3 metros. O granito das paredes e do piso é de Bangalore, India, cortados e fabricados em Barre, Vermont. As variações de cor e textura são resultantes de diferentes técnicas de corte, polimento e lustro.



The Wall , como é denomidano o monumento, consiste em três partes: a Three Soldiers statue, o Vietnam Women’s Memorial e o Vietnam Veterans Memorial Wall.


A construção começou em 1982 e concluiu-se em 1993. US$ 8,4 milhões foram arrecadados e gastos na construção, cuko projeto foi de um estudante de arquitetura, de apenas 21 anos, da Universidade de Yale, que fez o projeto como um trabalho de escola. A Three Soldiers statue foi executada e instalada em 1984 para dar ao memorial um aspecto mais tradicional.


Fim.

Marcelo Ferla


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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Especial Guerra do Vietnã - 50 anos depois





Guerra do Vietnã - parte XXIV



O símbolo maior da Guerra




A foto da garota Kim Phuc, nua, fugindo de seu povoado que estava sofrendo um bombardeio de napalm, até hoje é lembrada como uma das mais terríveis imagens da Guerra do Vietnã. No momento em que a foto foi tirada, em 8 de junho de 1972, a vida de Kim Phuc, então com 9 anos, mudaria para sempre. Hoje, 32 anos depois, Kim Phuc é Embaixatriz da Boa Vontade da UNESCO. Ela contou à BBC sua experiência:

"Em 1972, os americanos lançaram uma bomba de napalm em meu povoado, no sul do Vietnã. Um fotógrafo, Nick Ut, tirou uma foto minha fugindo do fogo, a foto que hoje é tão famosa. Eu me lembro que tinha 9 anos, era apenas uma menina. Naquela noite, nós do povoado havíamos ouvido que os vietcongues estavam vindo e que eles queriam usar a vila como base. Então, quando já era dia, eles vieram e iniciaram os combates no povoado. Nós estávamos muito assustados. Eu me lembro que minha família decidiu procurar abrigo em um templo, porque nós acreditávamos que lá era um lugar sagrado.

Nós acreditávamos que, se nos escondêssemos lá, estaríamos a salvo. Eu não cheguei a ver a explosão da bomba de napalm; só me lembro que, de repente, eu vi o fogo me cercando. De repente, minhas roupas todas pegaram fogo, e eu sentia as chamas queimando meu corpo, especialmente meu braço. Naquele momento, passou pela minha cabeça que eu ficaria feia por causa das queimaduras, que eu não ia mais ser uma criança como as outras. Eu estava apavorada, porque de repente não vi mais ninguém perto de mim, só fogo e fumaça. Eu estava chorando e, milagrosamente, ao correr meus pés não ficaram queimados. Só sei que eu comecei a correr, correr e correr. 






Meus pais não conseguiriam escapar do fogo, então eles decidiram voltar para o templo e continuar abrigados por lá. Minha tia e dois de meus primos morreram. Um deles tinha 3 anos e o outro só 9 meses, eram dois bebês. Então, eu atravessei o fogo."

Queimaduras...

"O fotógrafo Nick Ut nos levou para um hospital das redondezas.

Assim que ele nos deixou lá, foi para uma sala escura revelar as fotos.

Depois, me falaram que eu e as outras pessoas feridas seriam transferidas para o hospital de Saigon. Dois dias depois, meus pais me encontraram no hospital. Eu passei bastante tempo no hospital: 14 meses. Os médicos fizeram 17 cirurgias para curar as queimaduras de primeiro grau. Metade do meu corpo ficou queimado.




Aquele foi um momento decisivo na minha vida. A partir daí, eu comecei a sonhar em como ajudar outras pessoas. Meus pais guardaram a foto, que tinha saído num jornal, e depois a mostraram para mim. "Esta é você, quando você estava ferida", disseram eles. Eu não consegui acreditar que era eu, era uma foto aterrorizante.




Eu acho que todas as pessoas deveriam ver essa foto, mesmo hoje, porque mostra claramente como uma guerra é terrível para as crianças. Você pode ver o terror no meu rosto. Basta ver a foto, para as pessoas aprenderem."


Marcelo Ferla


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Especial Guerra do Vietnã - 50 anos depois





Guerra do Vietnã - parte XXIII




A destruição de um país.

Em 15 anos de guerra, foram jogadas sobre o Vietnã mais toneladas de bombas do que todas as lançadas durante a 2ª Guerra Mundial, além de experiências com armas químicas e bacteriológicas. Os Estados Unidos gastaram mais de 150 bilhões de dólares, destruíram cerca de 70% de todos os povoados do norte e inutilizaram mais de 10 milhões de hectares de terra.


Resultados da Guerra:

2 milhões de vietnamitas foram mortos, 3 milhões de feridos e inválidos, e centenas de milhares de crianças órfãos. Além dos 12 milhões de refugiados.


Baixas americanas: 57.685 KIAs (mortos), 153.303 feridos e inválidos, 587 POWs (prisioneiros de guerra) e 2.500 MIAs - soldados perdidos em ação.

Foram despejados na guerra o triplo de quantidade de bombas utilizadas na II Guerra Mundial, o que acarreta em 300 toneladas de bomba para cada cidadão do Vietnã.






Kim Phuc, na época com 9 anos, foge após ataque com bomba de napalm. Trang Bang, Vietnã, 08/06/1972. Foto: Nick Ut/AP








Bombas e artefatos incendiários, essa foi à realidade do Vietnã do Norte durante as décadas de 1960 e 1970. A guerra travada entre o sul e o norte desse longínquo país asiático foi uma das principais notícias mundiais do período, pois colocava em campos opostos as ideologias capitalista e socialista. Era a força dos norte-americanos a favor dos sul-coreanos enquanto os soviéticos, sem se envolverem diretamente no conflito, davam suporte e condições para a reação norte-coreana.

Guerra que marca o maior revés norte-americano em conflitos bélicos desde a independência desse país, o conflito no Vietnã não acarretou prejuízos apenas para os Estados Unidos. Os maiores sofredores foram os próprios vietnamitas (especialmente os norte vietnamitas), submetidos a supremacia tecnológica e material dos americanos, sofreram com os constantes ataques desferidos pelos bombardeiros B-52 que despejaram imensas quantidades de explosivos sobre todo o seu território.

Para se ter uma ideia do poder de destruição desses armamentos, basta lembrar que a quantidade de bombas lançadas sobre o Vietnã supera em três vezes o montante de explosivos utilizados na 2ª Guerra Mundial.
















Além disso, calculam os especialistas nesse conflito, que para cada habitante do Vietnã foram lançados no território do país o equivalente a 300 toneladas de material explosivo (mesmo levando-se em conta as populações civis, que não participavam diretamente da guerra, inclusive as mulheres, os idosos e as crianças). Um verdadeiro massacre!

O mais conhecido recurso utilizado pelas tropas norte-americanas contra seus oponentes vietcongues (como eram chamados os norte-vietnamitas pelos soldados do Tio Sam) foi uma arma química conhecida como Napalm. Era uma mistura de petróleo com reagentes químicos que tinha o formato de um gel grudento que ficava retido na pele daqueles que fossem atingidos pelo mesmo.

Entre os produtos químicos que faziam parte da composição do Napalm estava o phosphorus branco que provocava a reação de queimaduras terríveis. Os efeitos eram prolongados e há relatos de que mais da metade das vítimas atingidas por essa poderosa combinação destrutiva tinham queimaduras de 5º grau (que atingiam os músculos e até mesmo os ossos). As dores e a intensidade da corrosão causada ao organismo pelo Napalm provocava muitas mortes.

Outro armamento despejado dos aviões norte-americanos eram as bombas ‘abacaxi’. Consistiam em um pequeno invólucro metálico que tinha ao seu redor cerca de 250 pinos ou grânulos. Em cada ataque eram jogados alguns milhares de ‘abacaxis’ sobre áreas inimigas para atingir tudo aquilo que estivesse nas proximidades onde caíssem essas armas. Uma vez atingidos os alvos, essa massa metálica com pinos ou grânulos se alojava nos corpos dos inimigos e os lesionava de forma definitiva ou acabava matando muitos deles.



















Há relatos de outros recursos assemelhados as bombas ‘abacaxi’ feitas com material plástico. Aparentemente menos danosas ao organismo, na realidade provocavam o mesmo impacto, adentrando a pele dos atingidos, inutilizando alguns de seus membros, danificando certos órgãos vitais, aleijando muitos soldados do oponente. De acordo com alguns analistas, ao utilizar tais tipos de armas lançadas de seus grandes bombardeiros, os norte-americanos queriam provocar um prejuízo ainda maior em seus inimigos do que aquele causado por um grande número de baixas militares ou civis.

Calculavam os articuladores dos ataques ianques que as pessoas feridas, mutiladas e incapacitadas de trabalhar acabariam se tornando custos permanentes para os governos norte-coreanos e não seriam capazes de reverter qualquer lucro para o sistema socialista que se pretendia implantar naquele país.

O maior dos inimigos enfrentados pelos soldados norte-americanos na Guerra do Vietnã era, no entanto, praticamente invisível aos olhos de seus pelotões. Protegidos pelo grande conhecimento que tinham das florestas de seu país, os vietcongues armavam ataques surpreendentes e suicidas e, dessa forma, conseguiam aniquilar muitos de seus opositores (atuavam dentro da tática de guerrilhas).

A resposta encontrada para lidar com tal problema foi a utilização de uma gigantesca quantidade de armas químicas e biológicas contra o Vietnã. Foram lançados contra aquele país aproximadamente 72 milhões de litros de produtos químicos (dos quais 66% era o temível ‘agente laranja’).

Para resolver esse problema foi aprovada pelo governo norte-americano a operação Ranch Hand. O referendo das autoridades permitia que as forças armadas norte-americanas lançassem sobre as florestas do Vietnã do Norte um produto químico conhecido como ‘Agente Laranja’. O objetivo principal era atingir os rebeldes da Frente de Libertação Nacional e para isso, o ‘agente laranja’ foi lançado sobre uma área de mais de um milhão de hectares. Esse produto corrói as folhas, queimando-as e destruindo-as para que a cobertura vegetal não pudesse ser utilizada como esconderijo para as tropas da Frente de Libertação.

O problema é que esse produto não apenas causa um considerável desastre ambiental como também, impregnado ao corpo de seres humanos provoca prejuízos genéticos.

Outra forma de combate utilizada pelos oponentes dos vietcongues foi a destruição de mais de 650 mil acres de terra cultivada entre os anos de 1962 e 1969. Para tal ação os americanos utilizaram o ‘agente azul’. Essa tática de guerra tinha como objetivo primordial literalmente ‘matar de fome’ os representantes das forças rebeldes e opositoras a presença do contingente militar dos Estados Unidos naquele país.

Mesmo quando as notícias relativas ao uso de armas químicas foram divulgadas publicamente, os norte-americanos trataram de se defender afirmando que produtos como o ‘agente laranja’ ou o ‘agente azul’ não causavam danos as pessoas, somente ao meio-ambiente.

Essas afirmações das autoridades norte-americanas foram frontalmente combatidas pela comunidade científica internacional, inclusive por mais de 5 mil cientistas dos Estados Unidos e 17 vencedores do prêmio Nobel. Todos eles assinaram petições contra a utilização de armas químicas e biológicas na Guerra do Vietnã. Isso só deixou de acontecer em 1974, praticamente no apagar das luzes daquele sangrento conflito.

As conseqüências relacionadas a utilização desses produtos na guerra contra os vietcongues atingiu também os soldados norte-americanos. Muitos deles vieram a ter filhos com sérios problemas de pele ou ainda com a Síndrome de Down, situações comprovadamente causadas pelo contato de seus pais com produtos como o "napalm", o "agente azul" ou o "agente laranja".

Os fabricantes desses produtos para a guerra foram posteriormente processados pelos próprios soldados americanos afetados em sua saúde pelo contato direto e pela proximidade com esses tóxicos. Isso rendeu aos veteranos da guerra indenizações que chegaram a um montante final de 180 milhões de dólares.

Além disso, a natureza do Vietnã sofreu revezes que continuam a afetar a vida econômica do país até os dias de hoje. Todos aqueles produtos químicos despejados sobre o país infectaram o solo e também os lençóis freáticos. A produção de alimentos, a sobrevivência de uma grande quantidade de espécies animais e vegetais e a própria manutenção da sociedade vietnamita se tornaram tarefas muito árduas e, em determinadas regiões, praticamente impossível durante muitos anos. Gerações posteriores de cidadãos do Vietnã do Norte continuam tendo problemas diretamente ligados à ingestão de gases ou líquidos provenientes das bombas americanas.



Marcelo Ferla




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