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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

David Coimbra: o infeliz do pepino.


David Coimbra: o infeliz do pepino
Por: David Coimbra


Sinto a maior simpatia por pessoas que tiram fotos da própria comida. 
O sujeito está prestes a jantar uma macarronada com vinho tinto, cessa tudo, registra e, orgulhoso, coloca a foto nas redes sociais. 
De certa forma, ele está partilhando aquela refeição conosco.
Compartilhar uma refeição é dos maiores atos de congraçamento, senão o maior. 
Quando você come na companhia de outra pessoa, está dividindo com ela algo que fará parte de ambos. 
Haverá um pouco do mesmo em vocês dois, ainda que vocês estejam comendo pratos diferentes. 
Porque aquele é um momento de intimidade fisiológica, de consórcio de organismos na idêntica e suprema função de sobrevivência da espécie.
Jesus sabia disso. 
Quando queria reforçar a união das pessoas em torno dele, o fazia durante um repasto. 
Não por acaso, a Última Ceia foi, bem, uma ceia. 
Não por acaso, a liturgia da comunhão se dá no ato de comer e beber. 
O pão é o corpo de Cristo, o vinho é seu sangue.
Pessoas que comem e bebem juntas realizam, exatamente, uma comunhão. 
Por isso, comer na companhia de uma pessoa desagradável faz mal.
Então, o sujeito que manda fotos de um churrasco suculento não está só querendo se exibir; está querendo dizer que gostaria que você estivesse comendo aquilo também, que estivesse lá com ele.
Uma pessoa que admira comida, em geral, é uma pessoa de bem com a vida. 
E admirar, que digo, é no sentido de apreciar com encantamento, como você se comove com o olhar doce de uma mulher.
Coisa linda é ver um gordo olhando para a comida. 
Uma vez escrevi sobre um gordo da Redação que, todos os dias, precisamente às quatro da tarde, ia comer um Chokito. 
Ele pegava aquele Chokito no bar e voltava para a mesa dele, imagino que para aproveitá-lo sozinho, concentrado, sem ter de ficar conversando com ninguém. 
Então, ele descascava o Chokito como se estivesse descascando uma banana. 
Dava-lhe uma mordida. 
E, enquanto mastigava, ficava olhando para o Chokito em sua mão, rodando-o de um lado para outro, analisando-o como se fosse uma joia. 
Ali estava um homem na plenitude de seu próprio ser. 
Ele não precisava de mais nada na vida, além daquele Chokito. 
Um gordo e sua comida também realizam uma comunhão.
Entendo todas as questões de saúde e tal, mas lamento um pouco a progressiva extinção dos gordos na nossa sociedade. 
Não estou falando de pessoas "acima do peso". 
Estou falando dos gordos autênticos. 
Os que são chamados de "gordinhos".
Um gordo, se ele está comendo, não fará mal a ninguém, não planejará nenhuma solércia, não será movido pela malícia. 
Ele só quer comer.
Mas outro dia alguém postou uma foto de um pepino no Facebook. 
Não era um pepino inteiro, que algum gaiato dirá ter conotação fálica. 
Não. 
Era um pepino cortadinho em rodelas do tamanho de moedas de um real. 
Não estava nem temperado, aparentemente. 
Estava apenas fatiado melancolicamente sobre um prato. 
Aquilo me deixou intrigado. 
Um pepino em fatias. 
Alguém estava convidando outras pessoas para comer pequenos círculos de pepino sem tempero. 
Como a vida é vasta e variada. 
Como as pessoas são diferentes.
Tenho certeza de que o autor daquela foto é um magro, um triste magro. 
Ele deve passar os almoços contando calorias. 
Ele nunca come massa, come carboidratos. Ele nunca bebe, ele se hidrata. 
Aliás, ele provavelmente bebe só água. 
Um suquinho, quando muito. 
E ele come com talheres de plástico e em pratos de papelão. 
De pé. 
Não confie em alguém assim. Um amante de pepinos fatiados não ama a vida.

post: Marcelo Ferla

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