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terça-feira, 11 de outubro de 2016

A DIFERENÇA ENTRE GOSTAR DE MULHER E GOSTAR DE XOXOTA.


A DIFERENÇA ENTRE GOSTAR DE MULHER E GOSTAR DE XOXOTA.

POR MÔNICA MONTONE
Existe uma diferença imensa entre gostar de mulher e gostar de xoxota. 
O universo complexo que existe ao redor da xoxota, ou seja, o feminino, a mulher, parece não apetecer aos rapazes de hoje.


Tentar seduzir alguém é a forma mais eficaz de não seduzir ninguém. 
Por um motivo muito simples: sem espontaneidade e/ou naturalidade não há sedução possível.
O que desperta o desejo em uma pessoa pode não despertar em outra, por isso, não existe regras ou manuais de instrução quando o assunto é sedução.
Em geral, nosso desejo pousa em alguma particularidade do outro que nada tem a ver com beleza, sex appeal, status ou dinheiro. 
Pode ser o jeito de andar, a maneira como ajeita os cabelos, o cheiro, a voz, o som da risada, a fenda que separa os dentes, o sapato cafona que usa - não é raro acontecer de o desejo se acomodar justamente na falha do outro.
Num primeiro momento, a beleza pode atrair e aproximar, mas são a pele, o toque, o cheiro e a boa conversa que nos fisgam. 
Por boa conversa, entenda: crenças, caráter, humor, educação e cultura similares às nossas - o famoso “ele(a) fala a minha língua”.
No fundo estamos sempre buscando no outro nosso próprio reflexo ou uma identidade perdida e não é raro acontecer de nos sentirmos seduzidos por uma pessoa com características diametralmente opostas as nossas - é quando acreditamos que o outro tem o que nos falta que nos apaixonamos.
Exatamente por entender a sedução como um caleidoscópio particular, tenho me divertido horrores com a polêmica dos “sedutores profissionais” Julien Blanc e Gambler (Richard La Ruina) mundo afora.
Tenho me divertido horrores por um motivo muito simples: durante anos as mulheres foram bombardeadas por revistas femininas, programas de TV, filmes e subliteratura com dicas de como seduzir um homem e, consequentemente, ridicularizadas pelos mesmos por consumirem esses produtos e serem inseguras ao ponto de precisarem desses subterfúgios.
Ou seja, agora chegou a vez de os rapazotes assumirem publicamente que são tão inseguros quanto qualquer donzela que busca dicas na revista Cláudia.
A diferença entre uns e outros é que as gurias parecem procurar esses manuais para seduzir e fisgar um namorado potencial; os guris, somente para aumentar o número de trepadas da lista.
Assistindo aos vídeos de Richard La Ruina - você aceitaria dicas de uma pessoa chamada La Ruina? – senti uma profunda pena dos meninos. 
Suas aulinhas podem ajudá-los a levar menininhas acéfalas, inseguras e bobinhas para a cama, mas seduzir uma mulher, mulher com M maiúsculo, duvido. 
Cheguei a ficar curiosa para ler seu livro A arte naturalda sedução – Como abordar as mulheres e se tornar um mestre da conquista(Editora Sextante).
Ao tomar ciência de que livros como estes estão no topo dos mais vendidos, que aulas como estas (preçomédio de 700 libras) lotam e que no Brasil as palestras de Julien Blanc estão esgotadas, amargo a sensação de que os novos-homens-heteros (espero que nem todos!) deixaram de gostar das mulheres: eles gostam (somente) de xoxota.
Sim, caro leitor, existe uma diferença imensa entre gostar de mulher e gostar de xoxota. 
O universo complexo que existe ao redor da xoxota , ou seja, o feminino, a mulher, parece não apetecer aos rapazes de hoje - daí, talvez, derive as relações de bolso; quando a mulher, o feminino ao redor da xoxota aparece, ele desaparece (e procura uma nova xoxota).
Ou será que sempre foi assim e eu, ingênua e romântica convicta, nunca tinha me dado conta (ou não quis perceber)?
Sim, porque Ovídio em 1 a.C. escreveu A arte de amar, um pequeno manual sobre a arte da conquista e, creiam, suas sugestões não diferem muito das aulinhas de La Ruina, são apenas redigidas de maneira mais poética.
Espero que ainda existam alguns vinicius de moraes perdidos por aí. 
Homens que amam a conquista, sim, mas amam também as mulheres e o amor.

Abaixo, um poema de Vinicius de Moraes.


PARA VIVER UM GRANDE AMOR Vinicius de Moraes
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. 
Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. 
É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. 
Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. 
É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. 
Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. 
E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. 
É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. 
Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.

post: Marcelo Ferla
texto: 

MÔNICA MONTONE
Mônica Montone é formada em Psicologia pela PUC-RJ e escritora. Autora dos livros Mulher de minutos, Sexo, champanhe e tchau e A louca do castelo. .



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