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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

STATUS: EM UM RELACIONAMENTO SÉRIO.


STATUS: EM UM RELACIONAMENTO SÉRIO.
POR MARCELO WOLF

Quem de fato sonha com uma relação afetiva “séria”? 
Muitas vezes deixamos de lado o prazer e a espontaneidade no amor e optamos pela rigidez do sério e estável.


Começo de namoro, muita felicidade e euforia, e, mais que depressa, corre-se para as redes sociais atualizar seu status para “em um relacionamento sério”
Razões para isso são as mais diversas: demarcação de território, exibicionismo, sinalização de "fora de mercado"... 
Mas convenhamos: que a vida nos livre dos relacionamentos sérios! 
Pois de séria basta a vida com sua carga massacrante de responsabilidades, contas, horários e compromissos.
Todo mundo quer se relacionar pra ter uma companhia agradável, partilhar boas experiências, dividir o peso dos momentos difíceis, enfim, pra ser mais feliz. 
Através dos relacionamentos buscamos prazer e satisfação a curto prazo, e a vida nos dá evolução e crescimento interior ao longo do tempo. 
E não há coisa mais gostosa do que estar com alguém de forma leve, prazerosa, divertida. 
Ouvir as histórias e causos do outro, rir e aprender com ele, poder desabafar e sentir a alma aquecida por ter alguém legal conosco. 
Relação afetiva deveria ser alento, não tormento; um oásis no meio das agruras da vida.
Mas, infelizmente, o ser humano tem uma grande capacidade de transformar algo que deveria ser prazeroso em enfadonho. 
Troca a leveza da livre opção pelo peso do compromisso engessado. 
Prefere os pássaros engaiolados às borboletas soltas e que vêm livremente pousar no seu jardim. 
Um bom exemplo disso é o casamento, cujos votos eternos e indissolúveis do "prometo ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença" roubam a cena do "quero estar com você porque te amo e é meu sincero desejo neste momento de minha vida"
Talvez isso aconteça pra se ter a ilusão das garantias frente ao tanto de insegurança, de medo da perda e do abandono que qualquer relação traz em si. 
Ou, quem sabe, por uma baixa autoestima e preferir o certo morninho ao duvidoso mais quente e arriscado.
E, em nome desta ilusão, acabamos optando pelo sério. 
É bem verdade que, recorrendo ao dicionário, vemos a definição deste termo como “importante”, “correto”, “verdadeiro”; mas também “austero”, “circunspecto”, “sisudo”, “regrado”, adjetivos pesados demais para uma relação a dois.


Muitas vezes substituímos essa designação por "relacionamento estável"; no fundo estamos trocando seis por meia dúzia. 
Voltando ao dicionário, "estável" tem por sinônimos “firme”, “seguro”, “sólido”, e também “constante”, “sem variações”, “permanente”. 
Um relacionamento assim faz qualquer um, em dois tempos, se enjoar dele como se enjoa de arroz, feijão e bife nas três refeições por anos a fio. 
Nossa vida é dinâmica, mudamos o tempo todo, e as relações humanas precisam ter espaço para essa movimentação, para evoluírem e mudarem de rumo. Tudo que fica parado apodrece, definha. 
E o mais importante é que o casal e a relação estejam caminhando na mesma direção e sentido.
Na cultura japonesa há uma crença conhecida como “Kotodama”, cuja tradução literal seria “espírito da palavra”, na qual toda palavra pronunciada produz uma vibração que pode afetar o ambiente, pessoas ou objetos. 
Pegando esse gancho, até que ponto esses termos não são uma radiografia inconsciente dos padrões de comportamento do ser humano em sua forma de se relacionar com os outros?
Um status interesse seria "em um relacionamento gratificante" ou "satisfatório"; indica que a pessoa está satisfeita com seu parceiro e sua relação, e, implicitamente, que não procura mais alguém pra se relacionar. 
Talvez nem pra se divertir e passar seu tempo. 
A menos que você seja masoquista ou um espírito de porco que sente prazer única e exclusivamente em destruir a felicidade alheia, isso funciona como a plaquinha “Não perturbe" no lado de fora da porta de um quarto. 
Pois ela está fechada e os ocupantes do aposento não querem ser incomodados na esfera mais íntima de suas vidas.
Este texto pode estar sendo "cricri" demais com termos usados corriqueiramente pra definir um status de relacionamento, mas não o leiamos de uma forma séria. 
Entre suas linhas, de palavras talvez duras e ideias implicantes, está embutida a mensagem de que nossas relações precisam ser leves e prazerosas. 
Mas isso não é algo simples, e demanda ação! 
Uma relação não é um refúgio pronto em que podemos dizer "cheguei" de forma definitiva e garantida, mas algo dinâmico e construído por nós mesmos, com nosso empenho e trabalho diuturnos, com nossa capacidade de adaptação, de perdão, de reajustar as rotas e de dançar conforme a música (ou ser conduzido quando necessário). 
Um oásis itinerante que nos obriga a estar sempre em movimento. 
Em suma, dá trabalho e não é ponto final.
Abaixo os relacionamentos sérios, viva os gratificantes! 
Seria legal ver uma designação mais leve e feliz nos perfis sociais digitais. 
Mas não vale roubar no jogo! 
Dizer o que não se vive ou não se sente só pra estar bem na foto das redes seria uma alquimia às avessas, transformando ouro em chumbo em nome das aparências, tão importante nesse meio, ou da auto-enganação. 
Nesse sentido talvez seja melhor manter os status de relacionamento "sério" ou "estável" intocados, e fazer do "gratificante" o elixir descoberto pelos fortes e puros de coração. 
Aqueles que tiveram a coragem, paciência, perseverança e sabedoria pra fazer da relação a dois algo verdadeiro, autêntico, essencial; que empenharam esforços para isso do fundo de seus corações, sem alardes nem exposições nas vitrines digitais. 
Esses sim merecem o prêmio máximo: a pedra filosofal do amor verdadeiro. 
Pois o essencial é invisível aos olhos.

post: Marcelo Ferla
texto:
MARCELO WOLF
O conhecimento é a matéria-prima da consciência. Esta sim é a chave que liberta!.








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