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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Museu do Terror.

Museu do Terror. Cinco décadas de opressão em Budapeste.
Por Carol Saraiva
Para começar a falar desse museu tão especial eu vou ter que dar uma pincelada na história da Hungria, coisa simples, rápida e despretensiosa.
Todo mundo sabe que durante a Segunda Guerra Mundial alguns países se deram mal, certo? 

Mas alguns países de deram MUITO mal e esse é o caso da Hungria. 

A sua aliança com a Alemanha custou a morte de 40% da sua população, milhares de judeus foram mandados para campos de concentração e as belas e ricas cidades que compunham o país viraram destroços. 

Se isso não fosse triste o suficiente, com o fim da guerra o mundo foi dividido,  a Hungria passou para o domínio soviético e ficou décadas sob a ditadura comunista. Mais um período negro de repressão, prisões, mortes e muito pânico.


Representando todo esse massacre histórico, em Budapeste, capital e maior cidade da Hungria, encontramos um prédio importantíssimo, ele foi a sede do partido fascista e  também da polícia soviética, acredita? 

Por causa das suas raízes, esse edifício se tornou um dos museus mais importantes e intensos do mundo, mas que precisa ser conhecido e digerido da melhor forma possível. 

Então, venha comigo visitar as entranhas do terror nesse edifício que exala crueldade.




O prédio é imponente e super bonito, a projeção da palavra “terror” nas paredes chama a atenção de qualquer um que passeia pela cidade. 

Mas o que realmente impressiona é que edifício é inteiro decorado com fotos de pessoas que morreram durante a guerra. 

Os retratos são muito delicados e parecem fazer parte da rotina dos moradores de lá, como um altar para entes queridos. 

Quando estava entrando no museu reparei que uma velhinha estava rezando e colocando flores para um dos retratos da parede, juro, quase sentei e chorei com ela, foi uma das cenas mais chocantes que eu já vi. 

As vezes perdemos a noção de como esse passado devastador é recente.


Já dentro do museu, outro soco no estômago. Bem na entrada, você vê uma parede enorme, toda decorada com fotos de  vítimas do terror mencionado, logo na frente um tanque de guerra real e uma fonte de onde escorre por todos os seus lados um óleo escuro e denso. 

Tudo no mais bizarro e matador silêncio. 

A luz, o cheiro, e esse silêncio fazem com que entremos no clima do que vamos ver. 

Nosso coração fica apertado e nos sentimos totalmente vulneráveis, exatamente como essas vítimas deviam estar.


O museu tem 3 andares e você vai ver materiais exclusivos sobre todo esse período: vídeos, depoimentos, fotos das cidades totalmente destruídas, uniformes, documentos, salas intactas e, o que eu acho o mais legal, muitas instalações.


Quem produziu o museu pensou brilhantemente em como fazer as pessoas viajarem no tempo e caírem no meio desse caos de Budapeste. 

Tem coisas que eu acho geniais, entre elas a cena do Ferents Salashi, o líder do regime nazista húngaro é retratado num fatoche com o rosto imóvel, nele é projetado um filme do mesmo, levando a cena ao máximo da realidade. 

Outra coisa super criativa é a sala que mostra a posse dos soviéticos, existe um cabide que fica girando com o uniforme nazista e o soviético e no mesmo local você vê um livro de assinaturas com um termo mais ou menos assim: 

“Eu, que antes era nazista, e cometi vários crimes para a humanidade, a partir de hoje, dia tal, ingresso no partido comunista para me reabilitar deste passado. Prometo que lutarei pela igualdade, justiça”… 

Muito doido. Também adoro a sala secreta escondida na biblioteca e, como publicitária, outro ponto alto é a sala da publicidade, acho aquilo incrível. 

Bom, não vou contar mais para não estragar as inúmeras surpresas do passeio.




Quando você passar por todas as salas, ficar chocado com tanta violência e, ao mesmo tempo, ficar vidrado pelo arquivo que esse museu conseguiu reunir, estará preparado para o próximo passo do passeio: o elevador. 

Pegue o mesmo e abra a sua mente para o que está por vir.
O elevador desce até os porões das ditaduras, no começo tudo parece normal, só que, de repente, as luzes começam a piscar num clima de suspense e rola um vídeo, um depoimento de um sobrevivente narrando como era a prisão e todos os preparativos para quem seria executado na mesma. O elevador começa a baixar bem lentamente até a masmorra. Tudo é de vidro para conseguirmos ver todos os detalhes.
Chegando no subsolo você vai entrar na prisão usada durante os dois períodos, vai passar por várias celas e sentir a agonia de se viver lá, algumas têm o teto super rebaixado, outras são molhas, outras minúsculas. 

Nas paredes, fotos dos presos, muitos artistas que pareciam inofensivos e presos políticos. As salas de tortura, de pena de morte e as solitárias completam esse cenário sinistro.




Sabe, tem muita gente que acha esse museu muito pesado, exagerado e tal, mas eu aconselho todo mundo a dar uma visitada na história negra da Hungria, quanto mais sabermos e sentirmos o que eles passaram, menos vamos repetir esse comportamento atroz no futuro. 

O Museu do Terror é, no mínimo, inesquecível, um passeio que marca a vida de qualquer um.
Na saída do museu você vai dar de cara com escultura que representa a Cortina de Ferro, expressão usada para designar a divisão da Europa em duas partes, a Europa Oriental e aEuropa Ocidental durante a Guerra Fria. 


Frequentemente há boas exposições temporárias no Museu do Terror, vale conferir. Para mais informações, visite o site.
Endereço e Horário: Andrássy utca 60, metrô linha 1 para Vörösmarty utca, aberto ter/sex 10h-18h, sáb/dom 10h-19h30
Entrada: 1.200/600Ft (estudante), mais 1.000Ft com audioguia.

post: Marcelo Ferla

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