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terça-feira, 13 de maio de 2014

Opinião do blogueiro.


O nosso Saddam enforcado.
O ponto que vem sendo pesado de uma forma ponderada pela nossa imprensa, o período da ditadura militar em nosso país, que me chama muito atenção, eis que ainda aprendemos e conceituamos de forma mais correta o que ocorreu, tanto pelas novas informações que surgem através das Comissões da Verdade, como pelo que acho essenciais, os incessantes debates, as novas pesquisas acadêmicas, as pesquisas de historiadores sobre os fatos á época, todos estes esforços trazem consigo o uso de novas expressões que vem sendo empregadas quando se fala sobre o período mostrando que estamos interessados na verdade, bem como, o fato de que ainda não estamos satisfeitos com o que sabemos, tudo isso monta novos capítulos imensuráveis para nosso país e aqueles que direta ou indiretamente sofreram. Disse tudo isto movido por um novo fato que veio a tona dias atrás (escrevi isso que estão lendo a uma semana atrás), portanto, antes da reviravolta nas investigações sobre a morte do sósia de Saddam Hussein, o coronel Paulo Malhães.


A polícia trabalhava, até pouco tempo, em minha opinião, com a mais fácil, cômoda e pífia das hipóteses, a de latrocínio (roubo seguido de morte) com a asfixia do coronel pelos larápios matadores que riam armas, dinheiro e coisas de larápios. O Coronel que fora encontrado de bruços e com o rosto azulado, características típicas de quem fora morto por asfixia poderia também ter sofrido um infarto, banal demais.
Outros, e ai me localizam, eis que considero mais plausíveis e retas as possibilidades da motivação em acabar com a vida de Malhães trabalham com as hipóteses de, primeiro, queima de arquivo em decorrência das bombásticas declarações do Coronel a Comissão da Verdade e, segundo, logo depois do depoimento com as declarações bombásticas, a de vingança de ao menos uma das tantas famílias que perderam entes queridos na mão do carrasco no período ditatorial do país. Confesso que bem mais interessantes estas duas hipóteses. Malhães sabia muito, mas muito mais do que disse.
Para não ficar em cima do muro como vem ocorrendo com as autoridades à frente do caso, minha posição se concentra, mais especificamente, na queima de arquivo.

Chamo atenção aqui para algo pouco dito por todos até o presente momento. O Brasil é um país que, além de estar habituado com o insolúvel proposital, o por debaixo do tapete para que seja esquecido, também não está habituado com algo que poderia muito bem ser um roteiro de thriller policial americano. Apesar de acharmos, não é só lá que estas conspirações ala CIA acontecem e, muito menos quando analisamos um caso extremamente marcante na história de nosso país.
Basta pensarmos de forma racional e simples. Quem disse que Malhães não falaria mais a Comissão da Verdade e não tinha mais informações a dar? Quantas pessoas seriam envolvidas e responsabilizadas nas próximas declarações de Malhães? O quanto de informações de suma importância e com peso de ouro á título de esclarecimentos e solução de casos de desaparecimento e morte de civis á época até então sem solução seriam resolvidos com o que Malhães tinha a dizer? Definitivamente Malhães pode ser comparado a um enxame de abelhas Apis melífera (a abelha mais venenosa do mundo), fatal para todos que tiveram contato com ele e fizeram ou auxiliaram no que ele fez.
O que me parece é que o Brasil acusa o golpe, claro que no sentido do Boxeador atingido de forma fatal, eis que nosso país parece não estar interessado em dar o sentido acerca da ditadura e seus agentes ligados ao período e, exige que se mantenha o silêncio, mais uma vez por meio da censura e da violência, assim como naquela época, impedindo que a verdade do que ocorreu no pior período de sua história não venha à tona.
Uma testemunha ocular como o Coronel Malhães, visto este ter sido agente de atos e testemunha de tantos outros, não poderia jamais ter sido tratado com desdém pela Comissão da Verdade, deveria ser tratado sim, pelo Estado, hoje comandado justamente por vítimas como as que Malhães por suas mãos no período de chumbo como peça fundamental que era do esclarecimento dos fatos com a maoir profundidade possível.
A situação para mim é clarividente. Sua morte, logo após o único, mas comprometedor depoimento feito por Paulo Malhães lhe custou sim sua vida. A conveniência em dizer que sua casa fora assaltada e um latrocínio ocorrera no local é mais do que um álibi perfeito, perfeito porque nós brasileiros, mesmo que maculados por este período temos o péssimo hábito da memória histórica por demais curta e, desta forma, logo esqueceremos quem matou e por que matou, ficando tudo como está.
Para muitos definitivamente não vale a pena mexer na colmeia e ser picado de forma fatal, mas isso não me surpreende tanto, o que mais me surpreende é que mesmo os torturados no poder deste país passam pano quente naquilo que justamente marcou a ferro suas vidas. Parece estarmos diante de uma síndrome de Estocolmo entre vítima e agressores.  

Marcelo Ferla

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