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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O caso dos beagles - o outro lado.

Reduzir o uso de animais nos laboratórios prejudica a pesquisa?
Cientistas descartam que a experimentação com animais esteja com os dias contados, mas saúdam métodos alternativos como mitigadores da prática.


O que pedem os ativistas que invadiram na madrugada desta sexta-feira o Instituto Royal, em São Roque (SP), é a adoção de "métodos substitutivos" na pesquisa científica. Saem os animais, entram métodos matemáticos e computacionais. Afinal, por que submeter 178 beagles a experimentos quando um algoritmo daria conta de prever, por exemplo, os efeitos de uma droga no organismo canino?
A pesquisadora da PUCRS Mônica Ryff Moreira Roca Vianna confirma que a tecnologia tem reformado a rotina dos laboratórios, reduzindo o número de cobaias.
- Há recursos interessantes para o ensino, e é nossa função, como educadores, discutir isso com os alunos. Temos essa tendência, e aqui praticamente abolimos o uso de animais no ensino - afirma Mônica, que integra a direção da Comissão de Ética no Uso de Animais (Ceua) da PUCRS.
Sancionada em 2008, a Lei Arouca exigiu a criação de Ceuas em instituições de ensino e pesquisa. Atualmente, a comissão da PUCRS avalia, por exemplo, se deve ser levada adiante uma tese de doutorado que quer usar o zebrafish (o peixe "paulistinha") para investigar o autismo. Essa etapa busca não só adequar a pesquisa à legislação, como garantir a efetivação dos chamados "3 Rs" - Reduction (reduzir o número de animais), Refinement (refinar os processos para promover o bem-estar das cobaias) e Replacement (substituir os animais por outras ferramentas). A ideia é que a pesquisa com animais aconteça apenas quando o uso de cobaias é justificado.
Afirmar que a pesquisa "nunca é justificada" não dá conta da complexidade do assunto. Se, de um lado, há mártires do conhecimento, do outro há beneficiários - nem sempre humanos. A professora Mônica lembra que "a primeira coisa que uma pessoa faz quando adota um cachorro de rua é levá-lo a um veterinário para ter certeza de que ele está bem".
- Por trás desse processo, que envolve remediar e vacinar, há diversos animais que foram usados para garantir o bem-estar daquele cão - assinala, observando que parte da dificuldade do debate se deve ao desconhecimento dos parâmetros e protocolos que balizam a pesquisa científica.
Cientista-chefe da Sociedade Mundial para a Proteção de Animais (WSPA, na sigla em inglês), o britânico Michael Appleby aponta que proteger os animais e reduzir o número de cobaias nos laboratórios não configuram "desvantagens a outras prioridades, como pode parecer à primeira vista, mas podem contribuir com esses interesses [científicos]".
- Países que incentivam essa proteção, por exemplo na Europa, registram tantos avanços médicos e veterinários quanto outros países que não se importam com isso - argumenta.
Ativista contra os maus tratos dos animais usados pela indústria dos alimentos, Appleby descarta que a exploração dos bichos pelo homem esteja num horizonte próximo.
- Depende do que você considera "exploração". Se você a compreende no sentido "forte", o de tirar dos animais o que queremos sem qualquer consideração pelos interesses deles, então sim, é um fim alcançável, é fortemente desejável e já tem crescido de várias formas e em muitos países. Se você quer dizer "Vamos parar de usar os animais completamente, à exceção talvez como companheiros ou como livres criaturas colegas de planeta?", aí me parece muito menos provável num futuro previsível. De fato, não está claro que isso é demandado pela maior parte das perspectivas éticas - afirma, acrescentando concordar com o filósofo Peter Singer, que "sugere que deve haver igual consideração de interesses iguais entre espécies diferentes, incluindo humanos e animais".

post: Marcelo Ferla
fonte: ZERO HORA



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