Criança
de 9 anos tem cabelo crespo cortado à força por tias e primas e mãe procura a polícia
em Mogi.
Segundo criança,
parentes diziam que ela tinha cabelo podre e que iriam resolver. Menina sente
dores por causa de puxões, diz mãe.
Tia afirma que ninguém cortou o cabelo da
criança e que família estava apenas arrumando.
Por Fernanda Lourenço,
G1 Mogi das Cruzes e Suzano
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Criança de 9 anos tem
cabelo crespo cortado à força por tias e primas em Mogi das Cruzes.
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Uma menina de 9 anos e sua
família procuraram a polícia para denunciar que duas tias dela e duas primas a
obrigaram a cortar o cabelo no último fim de semana.
As agressoras teriam
chamado o cabelo da criança de "podre".
Uma das tias que é acusada
pelos pais, Adriana Alves da Silva, afirma que ninguém cortou o cabelo da
criança e que a família estava apenas arrumando.
A agressão aconteceu durante
uma visita à casa da avó materna, em Mogi das Cruzes, no último fim de semana.
Quando os pais chegaram para buscá-la encontraram a situação.
"Estavam duas irmãs
minhas, uma sobrinha e a mulher do meu sobrinho pegando o cabelo e repicando.
Falando que era podre, que ia apodrecer.
Ela sentia dor, porque estavam
puxando.
Uma estava com a tesoura e as outras puxando com pentes-finos",
contou a mãe, que prefere não se identificar.
A criança tinha sido deixada
no sábado (9) para dormir na casa da avó.
"Meu esposo ficou nervoso e
queria brigar com elas.
Vontade não faltava.
Como minha mãe e meu pai são
idosos, peguei minha filha e fui embora.
Depois fomos na delegacia de Suzano e
falaram para ir a Mogi.
Fui em Brás Cubas e pedi para fazer o boletim de
ocorrência.
Até o homem da delegacia ficou revoltado", disse.
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À esquerda, menina
antes de ter o cabelo cortado; à direita, depois do corte. Segundo família,
parentes obrigaram criança a cortar o cabelo (Foto: Arquivo Pessoal).
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A menina afirmou para a
polícia que todas riam e a ofendiam.
Elas teriam dito:
"Sua mãe não cuida
do seu cabelo.
Você tem o cabelo podre e nós vamos arrumá-lo".
A menina afirma que ninguém
perguntou se ela queria cortar o cabelo.
"Não perguntaram se
podia.
Falaram que a minha mãe não cuidava do cabelo e que era podre.
Eu fiquei
muito triste, mas fiquei quietinha", contou ao G1.
A mãe ficou revoltada com a
situação.
"Ela falou assim que não sabe por que elas fizeram isso com ela.
Ela fala, 'mãe, por que elas fizeram isso comigo?
Eu não fiz nada para elas'.
Eu disse que também não sei o porquê."
Segundo a mãe, a criança tem
reclamado de dores na cabeça.
"Ela não deixa nem colocar a mão.
Ela diz
que se passar a mão dói.
Tem uma parte maior, uma parte bem curta.
Estava tão
bonito o cabelo dela."
O caso foi registrado como
lesão corporal e injúria racial.
Segundo a mãe, a menina deve ser submetida a
exame de corpo de delito nesta sexta-feira (15).
Em nota, a Secretaria de
Segurança Pública do Estado de São Paulo disse que a "Polícia Civil de
Mogi das Cruzes informa que os pais da criança compareceram ao 2º DP do
município nesta terça-feira (12) e foi elaborado um boletim de ocorrência de
injúria e lesão corporal.
Foi requisitado exame de corpo de delito à vítima e
os pais foram orientados quanto ao prazo de seis meses para representar
criminalmente contra as autoras."
O G1 falou com uma das tias
da criança, a auxiliar de limpeza Adriana Alves da Silva, que nega que qualquer
uma das familiares tenha cortado o cabelo da menina.
Ela disse que elas estavam
"dando banho e arrumando o cabelo porque ela tem cabelo difícil de
arrumar".
Adriana afirmou ainda que não encostou no cabelo da
criança e que a menina não recebe os cuidados necessários dos pais.
post: Marcelo Ferla
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