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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Julia Fullerton-Batten.


Fotógrafa reencena drama real de crianças criadas por animais.
Fiona Macdonald
Da BBC Culture

Modelo recria cena da vida de Oxana Malaya, que passou seis anos vivendo no canil de sua casa.
Belas e, ao mesmo tempo, perturbadoras, as imagens do mais recente projeto da fotógrafa alemã Julia Fullerton-Batten parecem cenas saídas de contos de fadas.
Mas as vidas que elas retrata são reais, contando - com modelos e produção fotográfica - as histórias de crianças que cresceram isoladas, tendo apenas animais como companhia.
"Há dois tipos de histórias: aquela em que a criança acabou se perdendo na selva e aquela em que o menor cresceu em sua própria casa, mas era tão negligenciado ou abusado que encontrou mais conforto com os animais do que com outros humanos", conta a fotógrafa, em entrevista à BBC.
Conheça algumas dessas dramáticas trajetórias.

Oxana Malaya, Ucrânia, 1991


A imagem acima recria o caso da garota ucraniana Oxana Malaya, encontrada vivendo com cachorros em um canil, em 1991.
"Ela tinha 8 anos e já vinha vivendo naquela situação há seis anos. 
Seus pais eram alcoólatras e, uma noite, a deixaram para fora de casa. 
Em busca de calor e aconchego, a pequena Oxana foi para o canil e se aninhou junto aos vira-latas", conta Fullerton-Batten. 
"Foi provavelmente o que salvou sua vida."
Oxana caminhava de quatro, arfava com a língua de fora, cerrava os dentes para estranhos e latia. 
Por causa da falta de interação humana, ela só conhecia as palavras "sim" e "não".
Hoje, Oxana vive em uma clínica em Odessa e trabalha com os animais do lugar.

Shamdeo, Índia, 1972


"Estas histórias estão longe de ser comparáveis com uma aventura de Tarzã", explica a fotógrafa. 
"Trata-se de crianças que tiveram que disputar comida com os animais, tiveram que aprender a sobreviver. 
Quando eu soube de suas vidas, fiquei em choque."
O projeto Feral Children ("Crianças Selvagens", em tradução literal) conta os casos de 15 crianças. 
As fotos são encenações produzidas com modelos.
A imagem acima mostra Shamdeo, um garoto encontrado em uma selva da Índia em 1972, quando provavelmente tinha 4 anos de idade.
"Ele brincava com os filhotes de lobos, tinha a pele bem escura, dentes afiados, unhas longas e em forma de garras, cabelos emaranhados e calos nas palmas das mãos, cotovelos e joelhos", conta Fullerton-Batten.
Shamdeo gostava de caçar galinhas, comia terra e tinha desejos de comer carne crua. 
Ele nunca falou, mas aprendeu a se comunicar com sinais. 
Morreu em 1985.

Marina Chapman, Colômbia, 1959


A fotógrafa teve a ideia do projeto depois de ler A Garota Sem Nome, autobiografia da colombiana Marina Chapman.
"Em 1954, quando tinha 5 anos, Marina foi sequestrada de um vilarejo remoto e abandonada na floresta", conta Fullerton-Batten. 
"Ela viveu com uma família de macacos-pregos por cinco anos até ser descoberta por caçadores."
A menina se alimentava de frutas silvestres, raízes e bananas que os macacos deixavam cair. 
Dormia em buracos nas árvores e caminhava de quatro, como seus companheiros de selva.
"Os macacos não lhe davam comida. 
Ela é quem teve que aprender a sobreviver, copiando o comportamento deles. 
No fim, eles se acostumaram com ela e a tratavam como igual, inclusive catando seus piolhos", relata a fotógrafa.
No início, as autoridades duvidaram da história de Chapman e a submeteram a uma série de exames médicos, concluindo que ela realmente estava subnutrida.
Chapman hoje vive na Grã-Bretanha com o marido e duas filhas. 
Segundo Fullerton-Batten, ela gostou da ideia de ter seu caso retratado no projeto.

John Ssebunya, Uganda, 1991


A fotógrafa contou com a consultoria da antropóloga britânica Mary-Ann Ochota, apresentadora da série de TV Feral Children, produzida pelo National Geographic Channel. 
"Ela conheceu pessoalmente três das crianças que ainda estão vivas hoje", conta Fullerton-Batten.
"Sua contribuição foi importante para me mostrar como posicionar as mãos (dos modelos), como eles deveriam andar, como sobreviviam – eu queria que o trabalho parecesse o mais autêntico e fiel possível", afirma.
A imagem acima ilustra o caso de John Ssbunya, que fugiu de casa aos 3 anos depois de ver o pai matar a mãe.
"Ele se escondeu em uma floresta e passou a viver com macacos. 
Foi capturado em 1991, quando tinha 6 anos, e levado para um orfanato", conta a fotógrafa.
John aprendeu a falar e fez parte do coro infantil da ONG Pearl of Africa. 
Em 2012, a antropóloga defendeu a veracidade da história do garoto no jornal britânico The Independent. 
"Não se trata de mais uma lenda, mas sim de um caso real que estamos investigando", escreveu.

Madina, Rússia, 2013


Segundo Mary-Ann Ochota, as crianças selvagens normalmente geram vergonha e sigilo em uma família ou comunidade. 
"Não são histórias felizes como Mogli – O Menino Lobo. 
São casos pungentes de negligência e abuso", explica a antropóloga.
"Esses casos se tornam possíveis quando há a trágica combinação de vício, violência doméstica e pobreza. 
São crianças que foram esquecidas, ignoradas ou escondidas", define.
Segundo Fullerton-Batten, a menina Madina viveu entre cachorros do nascimento até completar 3 anos, compartilhando sua comida, brincando e dormindo com eles no inverno. 
Quando assistentes sociais a encontraram, em 2013, ela vivia nua, andava de quatro e rosnava.
O pai de Madina saiu de casa assim que ela nasceu e sua mãe, de apenas 23 anos, passou a beber. 
"Ela estava o tempo todo bêbada e se sentava para comer à mesa enquanto a própria filha roía ossos com os cães no chão", conta a fotógrafa.
Apesar do trauma, médicos e psicológicos julgaram que Madina estava saudável física e mentalmente. 
A menina foi colocada para adoção.

Sujit Kumar, Fiji, 1978


"Sujit tinha 8 anos quando foi encontrado no meio de uma estrada cacarejando, batendo os braços e se comportando como uma galinha", diz Fullerton-Batten. 
"Ele dava 'bicadas' em sua comida, empoleirava-se em uma cadeira e fazia um barulho estalando a língua".
Seus pais o trancaram em um galinheiro. 
Depois a mãe se matou e o pai foi assassinado. 
O avô o manteve junto com as galinhas.
Para as crianças, a transição depois de serem encontradas pode ser tão difícil quanto o período em que passaram isoladas.
Kumar acabou sendo criado por Elizabeth Clayton, que o encontrou vivendo em um asilo de idosos. 
Ela fundou uma ONG para ajudar crianças carentes.

Ivan Mishukov, Rússia, 1998


Apesar dos relatos pungentes, as imagens de Fullerton-Batten contam uma história de sobrevivência.
"Todos os seres humanos precisam do contato com outros seres humanos, mas para essas crianças, a vida passou a ser regida pelo instinto de sobrevivência", diz. 
"Me pergunto se aqueles que contam com a companhia de animais selvagens não estão melhor do que as pessoas cuja infância foi passada sem nenhuma companhia."
Ivan fugiu da família aos 4 anos, dando restos de comida a uma matilha de cães selvagens até se tornar uma espécie de líder do grupo. 
Ele viveu nas ruas por dois anos, antes de ser levado a um orfanato.
Sua história é contada no livro Savage Girls and Wild Boys, de Michael Newton. 
"Foi um relacionamento que funcionou perfeitamente, muito melhor do que qualquer coisa que Ivan tenha vivido com outros humanos. 
Ele mendigava por comida e dividia tudo com a matilha. 
Em troca, dormia com eles nas longas e escuras noites de inverno, quando a temperatura despencava", escreveu o autor.
Fullerton-Batten espera que seu projeto ajude a conscientizar as pessoas sobre a situação dessas crianças. 

post: Marcelo Ferla
fotos: Todas as fotos foram cedidas à BBC por Julia Fullerton-Batten.

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