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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Nos abandonaram.



Nos abandonaram.
“A mulher morta em frente ao Colégio Dom Bosco, no bairro Higienópolis, em Porto Alegre, nesta quinta-feira, aguardava dentro do carro o filho de 13 anos sair da aula.
Cristine Fonseca Fagundes, de 44 anos, e a filha adolescente, de 17, haviam chegado à instituição de ensino antes do horário combinado e, por isso, decidiram comer algo enquanto esperavam.”

“...Cristine Fonseca Fagundes, de 44 anos, chegava para pegar o filho no Colégio Dom Bosco.”.
Sou viciado em filmes, séries, livros e HQ's desde que me conheço por gente.
Minha mãe, sempre me auxiliou financeiramente para realizar meus desejos vorazes de um curioso menino por natureza, seja pela leitura ou pela tela do cinema e hoje das séries.
Quando pequenino, ela me contava histórias e eu, olhando as figuras, achava tudo aquilo incrível, que mundo.
Tinha uns 6 anos de idade ou menos.
Era tudo lindo naquela época, assim como fora, por sorte, talvez, toda minha infância, sofrida por minha saúde, pois sou diabético desde meus 4 anos de idade, mas muito rica em criatividade e aventuras movidas a filmes e HQ’s na época.
Mas logo tudo isto mudaria e um dos motivos é o hoje que vivo.
O que ocorreu hoje (quinta-feira) em frente ao Colégio Dom Bosco em Porto Alegre pode não parecer nada fora do comum para quem não está próximo a Porto Alegre, ou seja, de outro Estado, ou pior, para qualquer um de nós, seres humanos que se acostumaram de forma forçada a tais acontecimentos, o que é um sinal de doença social claro gerado por sintomas que já conhecemos como corrupção, polícia falha, governantes inescrupulosos, seres do mal que só pensam em si mesmo, como nosso Governador Sartori, cercado de seguranças e que já deveria ter tomado uma atitude a muito tempo, mas é um frouxo e Tarso Genro, seu antecessor também o foi, ratos, todos. 
Aliás, coitados dos ratos que sempre entram nessa fria como metáfora.
“— Pediram a bolsa. Passa tudo. Quando ela foi passar, eles atiraram — contou, conforme relato da adolescente, que é sua afilhada.”.
Mesmo assim, em qualquer lugar do mundo, o que Porto Alegre vem vivendo nos faz pensar, e não só gaúchos, o mundo em que estamos vivendo, a que ponto chegamos.
Um assalto com arma de fogo a pedestres, uma sequencia de delitos a pedestres, eu disse pedestres, o que já me apavora, pois foram violentos e não se deram por satisfeitos furtando, roubaram com arma de fogo.
Logo depois, o derradeiro terror. Os marginais, em frente a um colégio (Dom Bosco) adentram um Honda Fit cinza.
Dentro deste, uma mãe de família, ainda presa a seu cinto e com ela no banco de trás sua afilhada, uma criança.
Ela esperava por seu filho e sem sequer ser permitida a entregar tudo e sair do carro, agindo como todos especialistas em segurança sugerem (não reagir) não teve a colaboração e paciência dos marginais, eles sequer deixaram a motorista retirar o cinto, a executam com um tiro na cabeça, em frente a criança, esta corre em direção a escola para pedir ajuda e os marginais fogem depois de, bem provavelmente, empurrar o corpo dela para fora como um saco de lixo humano.
Por fim, no decorrer de atos de terror, adentram em um veículo vermelho, um pálio, e fogem novamente para dentro de uma vila próxima.
Foi o que fiquei sabendo no meio de um programa de rádio, tudo ao vivo. Era o Pretinho Básico da rádio Atlântida o qual ouço desde que existe.
Depois da notícia dada pelo âncora Alexandre Fetter, filho de brigadiano (PM’s do RS), pai, casado, o fim do programa, sem a  trilha tradicional, sem o humor que toca o programa das 18 horas, sem ter o que dizer, comunicadores mudos. Incredulidade, pavor, revolta, impotência, silêncio, raiva.
“Ela estava em um Honda Fit acompanhada da filha, uma adolescente, quando teriam sido abordadas.”.
“A vendedora morreu dentro do veículo, presa ao cinto de segurança. A filha saiu correndo em direção à instituição de ensino para pedir socorro.”
Um colégio, cheio de crianças, todas testemunhas de tudo isto que acabei de descrever. Pais apavorados, cidade em pânico, mais acontecimentos antes e depois do ocorrido, meu programa de rádio favorito terminando 5 min antes, sem trilha e sem fala.
Mais uma vez o terror da violência urbana em Porto Alegre nos apunhala com um golpe fatal nas pessoas de bem.
Choque, redes sociais bombando, pena de morte, Bolsonaro presidente, armem os cidadãos, bandido bom é bandido morto, enforcamento em praça pública, mensagens caindo como água de cachoeira movida por ódio e revolta, o medo já estava ali nas linhas escritas, oportunistas ou não.
O mundo o qual eu vivia, aquele que descrevi no começo, não combina com o que acontece nos dias de hoje em minha cidade natal.
Pior do que isto, já poderia estar acontecendo naquela época, mas eu, criança, não entendia destas coisas, eu era privilegiado, e sendo assim, não tinha contato com coisas assim, além do que brinquei na rua, até as 21 horas em horário de verão, jogava em um parque perto de casa com toda tranquilidade, eram outros tempos, ao menos na minha blindagem ilusória com os dias contados.
Pensando melhor, agora, atingido por tal acontecimento, acho que tenho razão, não era, definitivamente, uma época em que as coisas aconteciam, ao menos não desta forma, de uma forma tão simples como brincar, jogar, ficar até tarde na rua, poder andar nela, ir a festas a pé, de ônibus ou como admirar figuras de um livro e HQ’s, construir bases de guerra na casa de minha avô com minhas vastas coleções de Comandos em Ação, Playmobil e Rambo, mal sabendo que coisas iguais as que eu via nos filmes que moviam minha criatividade naquelas brincadeiras, décadas depois virariam realidade.
Estamos vivendo o caos e o caos sempre é total, não vem e nem se instala parceladamente, o que me faz pensar que a muito ele está ai, na nossa cara sem nenhuma autoridade fazer nada e isto me faz dar uma sugestão que não resolverá o problema, mas que pode renovar de forma mínima, muito mínima nossas esperanças, ao menos deixando nossas consciências de forma tranquila, já que aqui somos obrigados a fazer, caso contrário, não estaria fazendo a muito, não quero mais fazer parte disto, ver notícias disto, não mesmo, trata-se de uma epidemia que me empurram goela abaixo neste país.
Lá vai:
Pense em seu voto, não vote com interesse pessoal, ele não vai salvar a você, a um parente seu ou a mim contra coisas deste tipo.
Mas podemos e devemos tentar, mesmo que incrédulos, precisamos tentar ao menos por mais desesperadora que a situação seja, e não se engane, a descrença é grande, mas não pode vencer de forma alguma, além do que como disse, somos obrigados.
Por fim, peço de coração aos amigos e amigas que cuidem-se, mas de forma séria e não despreocupada, o próximo pode sim ser um de nós, e infelizmente é só o que eu poso desejar a todos.
Estamos abandonados, a deriva, cercados por balas perdidas, ruas não policiadas, impunidade, corrupção, corporações viralizadas, o caos enfim chegou em sua forma mais pura e estamos sós, fomos deixados para trás, o que não se faz nem em uma guerra com um soldado por seus companheiros de batalha.



Em memória de Cristine Fonseca Fagundes, de seus familiares, filho, afilhada e de todos que já foram vitimados, bem como seus familiares, por algum ato violento de extrema brutalidade e injustificável.

Marcelo Ferla

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