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domingo, 14 de dezembro de 2014

Dica do Blogueiro.


Um estudo divertido sobre impostores clássicos.
Os grandes impostores: as verdadeiras histórias por trás de famosos mistérios históricos, de Jan Bondeson, diferentemente do sensacionalismo de muitas obras a respeito de segredos célebres e controversos, apresenta um estudo sério e respeitado de casos sem explicação. 

O autor utiliza todo o seu conhecimento médico e seu juízo criterioso para analisar grandes mistérios não resolvidos envolvendo as mais controversas personalidades dos últimos duzentos anos.

“Bondeson é um reumatologista que tem um interesse especial pelos aspectos mais obscuros da história. Suas hipóteses são filtradas por um conhecimento aguçado e perspicaz das dificuldades de se estabelecer a verdade.” (The New Yorker)

Os grandes impostores (The Great Pretenders: The True Stories Behind Famous Historical Mysteries)
Jan Bondeson
Tradução de Paulo Afonso
Não Ficção
Difel, selo editorial da Bertrand Brasil
384 páginas
R$ 35,00
ISBN: 978-85-7432-134-9
"Lembrado como o tsar de Guerra e paz, de Tolstoi, Alexandre I é uma das figuras mais fascinantes da história russa. Sua luta incansável contra os invasores franceses, em 1812 e 1813, salvou a Rússia. Mas havia um lado sombrio em Alexandre I. 

Quando jovem, ele tomou parte na conspiração que destronou Paulo I, seu desequilibrado pai; mas o sentimento de culpa por ter concordado com o assassinato do próprio pai o atormentou pelo resto da vida. Por volta do final de seu longo e bem-sucedido reinado, ele se tornou uma espécie de místico religioso, e disse a alguns de seus amigos que seu verdadeiro desejo era abdicar do trono para levar uma vida de orações e austeridade. 

Desde a década de 1860, há uma lenda persistente de que Alexandre I fez exatamente isso — após forjar a própria morte, em 1825, ele viveu por mais 39 anos disfarçado como o devoto eremita siberiano Fiódor Kuzmich. 

O mistério do imperador e do eremita logo se tornou o enigma nacional russo, que apesar do trabalho de muitos pesquisadores ainda não foi solucionado.”
Bondeson aborda enigmas como a lenda do Czar Alexandre I, que teria falsificado a própria morte e virado um eremita; o importante mistério Druce-Portland, hoje uma peça esquecida da história britânica; e o suposto falecimento do filho de Luís XVI com Maria Antonieta.
Com um texto ágil e conciso, aliado a dados incontestáveis, o autor criou uma obra de não ficção com ritmo bastante ágil, em que o leitor não conseguirá parar até terminar. Provas como testes de DNA, presentes nos casos do Delfim e de Kaspar Krause, o garoto que apareceu em Nuremberg, em 1828, após ter passado toda a vida numa masmorra subterrânea, mudam completamente o rumo de várias lendas da humanidade.
Neste curioso Os grandes impostores, que aborda os mais famosos casos sem solução de personagens duvidosos, Jan Bondeson expõe todas as provas e aplica sobre elas conhecimento e raciocínio lógico para averiguar a verdade por trás dessas histórias fascinantes.

Princesa Anastácia, filha do último czar russo Nicolau II: uma impostora que afirmava ser Anastácia e ter sobrevivido à execução da família real foi desmascarada por um teste de DNA
Nunca existiu uma criança alemã criada em uma masmorra, sem contato com seres humanos e alimentada a pão e água. Kaspar Hauser, o jovem selvagem celebrado no filme de Werner Herzog de 1974, realmente existiu no início do século XIX, mas inventou a própria história para conseguir dinheiro, conquistar a generosidade alheia e, quem sabe, alguma fama. Jan Bondeson, professor da faculdade de medicina da Universidade de Gales, na Grã-Bretanha, vasculhou bibliotecas e documentos históricos sobre o caso e, juntado a esses indícios os avanços da ciência moderna, descobriu que, por critérios hoje óbvios para a medicina, o garoto bem desenvolvido física e mentalmente jamais poderia ter um passado tão desolador.
Em seu livro, recém-lançado no Brasil, Bondeson narra casos como esse, fazendo uma análise minuciosa de episódios conhecidos como os maiores mistérios de identidade do século XIX. Como um narrador de livros de detetive, ele recolhe pistas, examina as relações e tenta desvendar seus enigmas.

“A ciência do século XIX era inútil para investigar esses casos. As modernas técnicas de DNA deram neles um golpe fatal”, diz Bondeson.

A maior parte dessas histórias não sobreviveu ao desenvolvimento científico e, principalmente, aos testes genéticos, acessíveis desde os anos 1990. 

Essa é a principal ferramenta para os casos de identidade duvidosa abordados no livro. 

Qualquer cabelo, pedaço de roupa ou carta secreta pode ser submetida à análise e ter sua veracidade comprovada. Príncipes sumidos ou filhos bastardos, hoje em dia, são facilmente desmascarados pela ciência.
“Para muita gente, um impostor é um vigarista do século XX. Não engolimos mais essas histórias com facilidade”, explica Bodenson, autor de outros 13 livros, dois quais apenas um, Galeria de Curiosidades Médicas, havia sido traduzido para o português, em 2000.
História romântica — Nas páginas do livro, o reumatologista nascido na Suécia se concentra em uma época em que a medicina e a ciência como conhecemos ainda não estavam desenvolvidas. 

Exames de sangue, testes psicológicos ou material genético contido em cromossomos ou mitocôndrias não eram sequer ideias da ficção. Por isso, avaliar a autenticidade de documentos, confissões ou verificar se uma pessoa era mesmo quem dizia ser era uma árdua tarefa. 

O poder político europeu do período, que deixava de ser fundamentado em linhagens consanguíneas e era balançado por revoluções populares, tampouco ajudava a verificar a verdade dos episódios. Era comum surgirem herdeiros desaparecidos, monarcas imortais, casamentos secretos ou pessoas simples depois identificadas como nobres sumidos.
Além disso, o imaginário desse tempo ainda era impregnado por histórias míticas e o pensamento mágico fazia parte do cotidiano. 

Não havia a separação clara entre a história convencional, baseada em evidências, e sua versão romântica, feita por teóricos de conspirações ou intelectuais amadores. Ficção e fatos históricos reais se misturavam e ficavam à mercê do narrador.  
“Muitas dessas lendas e mistérios históricos se incluem em um conjunto de lendas típicas, algumas das quais têm origens muito antigas. 

A lenda do herdeiro desaparecido, como a do francês Luís XVII, reflete a longa ausência de Ulisses e seu retorno como um pleiteante. 

A história do simplório misterioso que acaba se revelando um príncipe, caso do czar russo Nicolau I, remonta a histórias populares medievais”, explica Bodenson. 

“Eles têm muitos aspectos míticos e essa é uma das razões por que se tornaram tão famosas.”
Experiência médica — O autor começou a se interessar no início dos anos 1990 pelas histórias de identidade duvidosas, comuns no século XIX. 

Paralelamente a seu trabalho como pesquisador na Universidade de Gales, começou a ler sobre pessoas que pleiteavam ser filhos de reis ou herdeiros de grandes fortunas. 

Percebeu que faltava reunir todos os fatos históricos relacionados a elas, as conclusões científicas e, principalmente, os resultados dos testes de DNA feitos com esses personagens.
Usando sua experiência médica – que vê os indícios das doenças, analisa suas causas e faz as relações para descobrir sua solução – resolveu ir atrás de documentos da Biblioteca Britânica, da Biblioteca Nacional da França e da Alemanha para pesquisar sobre esses personagens. 

Visitou as cidades e os museus locais para conhecer o ambiente e passado de cada uma das histórias. Levou dois anos para juntar todas as informações e reuni-las em livro. 

O resultado é uma apresentação de todos os indícios históricos e científicos e um exame preciso do que levou esses personagens a, até hoje, permanecerem no imaginário mundial.

“Uma diversão transgressiva. As bizarrices da era vitoriana por si só já fazem valer a leitura.” (Publishers Weekly)

Jan Bondeson nasceu na Suécia. É escritor, médico reumatologista e professor na faculdade de medicina da University of Wales, em Cardiff, País de Gales. 

Além da carreira na medicina, escreveu livros sobre assuntos variados, como anomalias médicas, curiosidades da zoologia, crimes não desvendados e mistérios não solucionados. 

Alguns de seus mais conhecidos títulos são Buried Alive, Galeria de curiosidades médicas, The Feejee Mermaid and Other Essays in Natural and Unnatural History, The Two-Headed Boy and Other Medical Marvels e The London Monster. 

Os grandes impostores é seu primeiro livro publicado pela Bertrand Brasil.

post: Marcelo Ferla
fontes: Veja e Ed. Bertrand Brasil

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