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terça-feira, 26 de abril de 2016

O que é amor?

O QUE É AMOR?
por Pedro Henrique Alves

O que é amor? O termo mais utilizado no mundo atual é o amor, mas o que é amor? Quais são os arquétipos e as bases para dizermos o que é amor e o que não é? Será que realmente sabemos o que está palavrinha contém?


Na sociedade em que vivemos, onde nada mais é considerado digno de ser duradouro, onde o eterno é um conceito tão abstrato e sem sentido que nem se quer vale a pena citá-lo como uma ideia a ser trabalhada, o amor passou a ser tudo. Veja que diante do mundo-mercadoria e o mundo-relativista todos conceitos do que é certo, eterno, sagrado e digno de valores, não são levados em conta como algo que inspira e faz formar um caráter.
Primeiramente o amor é como uma noiva virgem que espera o momento e as condições certas para se desnudar a seu amado marido, sendo assim, antes de falarmos de amor propriamente dito, é preciso ter uma alma, um caráter formado para o amor, e pelo o amor. 

Como posso falar de amor, se o que eu conheço como "amor" são futilidades e paixões descontroladas de uma sociedade doente, perdida em suas carências e demências sexuais? 

Dentre os novos arquétipos de amor está o: sexo sem compromisso, a carência, a paixão de fim de semana, e os filmes da Disney, sentimentos passageiros e tudo quanto é incerto e até assustador como os fetiches e masoquismos do "50 tons de cinza". 

Mas será que o amor se resume em tão pouco? 

Será que o amor não é aquilo que os medievais determinavam como o inominável, ou o que a Bíblia identifica como sendo o próprio Deus?
Talvez seja ousadia minha aqui determinar o que é amor, mas posso afirmar que Shakespeare não se inspirou em relações afetivas aos moldes 50 tons de cinza para pensar sua Julieta. Que a disposição interna que impulsionava Dante Alighieri a seu amor platônico — Beatriz— na Divina comédia não era o sexo casual. 

E que o que faz o casamento de meus avós terem durado mais de 50 anos não é um sentimento adolescente, nem uma carência momentânea muito menos tesão de um momento de descontrole.
O que eu quero que vocês entendam neste artigo é que o amor em nosso tempo é um escândalo, a tal ponto, que quando o vemos não o reconhecemos, e como não o reconhecemos, achamos que qualquer cruzamento animal ou sentimento irracional seja o próprio amor. 

Somos capazes de identificar o amor, na sodomia, no beijo descompromissado, e no adultério, mas o que realmente nos faz ficar espantados e parar o que estamos fazendo, o que nos impele a sermos melhores, e nos inspiram canções belíssimas e livros monumentais, são aqueles casos medonhos de uma pessoa passar ao lado da mesma por mais de meio século, se separando não porque o amor se esgotou mas porque seu tempo aqui na terra se acabou. 

Quando meu avô foi para o hospital para nunca mais voltar, a última palavra que minha avó ouviu foi — Eu nunca pensei em desistir de você — seguido de um beijo no rosto. Eu — além deles — fui o único que viu isso, e eu te digo: ali, naquele sagrado momento, quando que por uma obra divina o tempo se misturou ao eterno, quando os anjos e os santos cessaram o louvor para olhar e louvar à Deus naquela cena, pois ali naquele pequeno quarto estava ocorrendo a maior manifestação divina, naquele momento eu vi o amor.
Quando temos noticia daquele bombeiro que morreu para salvar um estranho, quando ouvimos contar que mesmo com milhares de propostas para o adultério o homem voltou para sua família, quando escutamos aquela história que um homem galileu foi crucificado, isto se torna estranho, um escândalo um verdadeiro susto.
Amor é aquele toque do eterno no imanente, são aqueles segundos que passariam desapercebidos se o fragor da santidade imaculada da decisão eterna não irrompesse a camada suja de nossas malícias. 

Talvez pudéssemos colocar então três características essências no amor.
O amor permanece, não existe amor na ausência, não se conhece um amor que abandona ou que vai embora, o amor de verdade permanece, mesmo quando há uma distância entre os amados, a permanência não significa ausência de distância e sim a capacidade de estar dentro mesmo estando longe.
O amor é decisão, nossos tempos identificam o amor como sendo um sentimento, porém, não existe sentimento eterno, não existe uma dor eterna, ou uma fome eterna, um dia ela cessa, seja com a cura da dor e o saciar da fome ou com a morte, mas ela acaba, o amor não. 

O amor está naquele limiar da claridade que ofusca nosso entendimento, porém, quando se torna visível, mostra-nos que os que alcançaram a luz foram aqueles que tiveram todas as possibilidades de desistir mas ficaram, porque as decisões deles já estavam tomadas e essas — decisões — é para eles irrevogáveis, a decisão para estes é como camadas de suas peles, se a deixássemos ficariam esfolados e disformes, nós somos o que escolhemos, a feição de nosso caráter está na capacidade de mantermos nossas promessas e decisões. 

Minha boca diz o que eu quero que você pense que eu sou, as minhas escolhas me dizem quem eu realmente sou. 

Mesmo com todas as dificuldades, o marido decide ser fiel, e a mulher se decide pela família mesmo estando na época moderna do: deu errado? “Separa”. 

Eis o amor que a sociedade não entende. 

O amor que não conhece a palavra “descarte”, ela conhece o “consertar” o "renascer" o "recomeçar" nunca o desistir, na era industrial do joga fora e compra um novo, está lógica não cabe aos relacionamentos verdadeiramente humanos.
Por fim o amor é auto-sacrifício, não existe amor para satisfação, o amor não é o carro do ano que lhe serve para ter status, nem pornografia, ou prostituição para satisfazer seus desejos, o amor é aquilo que o mundo moderno tenta taxar como impossível. 

O amor em sua última face mostra-se sendo algo sem “porquês”. 

Uma vez questionaram Madre Teresa qual era o amor que nunca acaba, ela disse que o amor que não tem o porque existir, este amor não acaba, como podem destruir um amor que existe sem razão para existir? O amor sem porquê? Aquele amor que assusta, seja você cristão ou não, a história de um homem que foi crucificado, porque amava pessoas que nem conhecia, amava aqueles que o condenava e não esperavam deles nada em troca. 

Essa história é ilógica, a cruz, é totalmente ilógico, o amor é a única coisa que nós seres racionais podemos aceitar como ilógico sem demais protestos. 

Como o filho assassino, e drogado que a mãe não desiste até seu último suspiro, um amor que não ama por barganha, ou escambo, é um amor que ama pura e simplesmente por amar, sem demais explicações que lhe caibam, e ponto.
Eu sou aquele ser que busca o amor real apesar de taxarem este amor que eu procuro como sendo utópico, mas não é, eu já o vi, senti e conheci. 

Eu quero aquele amor que não cabe nas telas dos cinemas, nem nos funks ou pagodes, quem sabe um dia minha mulher beije meu rosto e me diga — Apesar de você ser um filósofo turrão, chato, só fala de política, e muitas vezes esquece de mim por conta de seus livros, apesar de tudo isso, eu nunca pensei em desistir de você —, eis o amor.

post: Marcelo Ferla
fonte: http://obviousmag.org/

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