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terça-feira, 24 de junho de 2014

Arte.


Stéphane Munnier (Goanna)
por Zupi
Que impressões um estrangeiro tem do Brasil? Há 10 anos, o francês Stéphane Munnier, o “Goanna”, designer, mestre em flash e fotógrafo se apaixonou por nosso país – e por uma brasileira. Morando no Rio de Janeiro e portando sua  lente objetiva, captura da forma mais íntima possível retratos de nossa rica e múltipla cultura, enxergando, por muitas vezes, coisas que nós mesmos não percebemos. 

Confira a entrevista.



Quando você começou a se interessar por fotografia?
Comecei mais ou menos em 1995, eu tinha 21 anos e experimentava com uma velha câmera Zenith de meu pai. Quando entrei na universidade trocava as aulas pra fotografar os amigos de skateboard. Afinal, abandonei a universidade e fui pro sul da França tirar fotos de surf, investindo em material e vendendo minhas fotos para revistas de surf e de sk8. Viajei muito.

Fui pra Califórnia, Havaí, Austrália tentando trabalhar na área do surf, mas percebi que é muito mais complicado que imaginava e abandonei a ideia. Voltei pra universidade e acabei estudando Design e Novas Mídias.

Depois de dois anos trabalhando como designer resolvi fazer minha primeira viagem pro Brasil.



Como foi sua mudança para o Brasil? Por que ela ocorreu?
Eu cheguei no Brasil em 2003, para aprender capoeira Angola, que eu descobri na França. Acabei me apaixonando pelo país, as pessoas, a cultura… e por uma brasileira também.
Meu interesse pela capoeira me levou automaticamente a decidir morar aqui perto do meu Mestre e meus parceiros de Capoeira. Apesar das diferenças e diversidade sociais e culturais, logo me identifiquei com o povo afro-brasileiro.

Venho de uma família simples e proletária de uma região industrial onde tem muitos imigrantes africanos e árabes era lógico pra mim buscar as mesmas afinidades e amizades aqui.
Por motivos financeiros precisei vender meu material pesado e caro que usava pra fotografar surf. A partir dessa dificuldade comecei a me concentrar a fotografar sem pretensão, amigos, Mestres da Cultura Popular Brasileira, capoeiristas, o povo que eu encontro o dia a dia.


Em que lugares do Brasil você compôs seus retratos?
Em dez anos no Brasil não tive muito oportunidade de viajar.  95% de minhas fotos foram tiradas aqui no Rio mesmo. Nas ruas, nas rodas de manifestações populares que participo, ou simplesmente quando encontro meus amigos.
Quais são as dificuldades do seu trabalho?
Fotografo com objetivo 50 mm 1.4. E de muito perto. São fotos muito íntimas, reveladoras. Eu preciso me aproximar da pessoa, mas antes de tudo nossa aproximação é um elo de confiança. Eu não posso roubar o retrato. A foto deve ser feita por nós dois, o modelo e eu. Isso é a primeira dificuldade.
Outra dificuldade é como me colocar como fotógrafo branco e europeu, tirando principalmente fotos de pretos, sabendo que os efeitos da colonização ainda são muito presentes no Brasil.

É sempre uma questão muito delicada e um assunto que eu desenvolvo com meus amigos pretos mais próximos e com minha namorada.

Eles me ajudam a definir e a abordar esse trabalho.


Quem te inspira e quem você quer inspirar?
Os grandes retratistas e repórteres como Steve McCurry e Sebastião Salgado. Alguns amigos como Vincent Rozemblatt, um francês morador do Rio que fotografa há 7 anos o cenário do Funk carioca, e principalmente a cultura popular.
Nunca pensei em ser um fotógrafo inspirador, mas reparei que poucos são os trabalhos brasileiros que retratam o quanto o povo brasileiro é tão lindo e diverso.

Se eu tivesse um pouco de didática pedagógica adoraria poder compartilhar com as pessoas de pouco acesso a cultura e ajudá-las através de algum método de ensino a buscar um olhar amplo sobre si próprio e a descobrir a beleza do povo que muita das vezes  é reprimida e oprimida  pelos padrões de beleza de nossa sociedade.

Com certeza teríamos fotos, retratos e visões muito interessantes e inesperadas.










 Marcelo Ferla

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