Desde o dia das eleições em minha cidade, Canoas, aqui no Rio Grande do Sul, venho refletindo a respeito de uma semelhança um tanto quanto curiosa ocorrida em fatos distintos, nas mais variadas esferas de importância. Explicarei-me.
O primeiro acontecimento que me chamou muita atenção ocorreu em Canoas, quando das eleições municipais de segundo turno para a escolha do nosso futuro prefeito. Estavam participando da disputa os candidatos Jairo Jorge (PT) e Jurandir Maciel (PTB). Desde a ocorrência das disputas eleitorais de primeiro turno, o primeiro, Jairo Jorge, surpreendeu a muitos quando da sua conquista ao direito de disputar o segundo turno, deixando para trás o candidato da situação Nedy Vargas (PSDB) para trás, supostamente em decorrência de uma resposta da população local em relação ao suposto envolvimento amigável demais deste com o então atual prefeito Marcos Ronchetti, alvo de inúmeras denúncias de fraudes e desvio de verbas públicas.
Tal fato, ao que nos parece, atingiu não somente o candidato Nedy Vargas (PSDB) em fase de primeiro turno eleitoral (ele não se qualificou a disputar o segundo turno), mas também o candidato Jurandir Maciel (PTB), até então vice-prefeito do segundo mandato de Marcos Ronchetti, que acabou derrotado em fase de segundo turno para o mesmo candidato cadastrado na disputa, Jairo Jorge (PT), e representante da então oposição, se tornando este último, depois de muito, prefeito eleito de Canoas pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Ao que me parece, dentro de uma análise fácil a todos, a comunidade canoense se cansou de todas as coisas que vinham ocorrendo na prefeitura local, não querendo saber se tais fatos eram boatos, ofensas, calúnias, difamações, ou coisas assim, praticamente pulverizando todos aqueles muito próximos destes fatos e até os ditos contrários e relativamente mais distantes. Eis aí o primeiro alerta.
Ainda no âmbito municipal, mas agora na cidade de São Paulo, também nas eleições municipais, surge o segundo acontecimento. A então candidata, Marta Suplicy (PT), também foi fulminada, no segundo turno, pelo candidato Gilberto Kassab (DEM), quando surgiram mensagens televisivas em que sua coordenação de campanhas indicava seu adversário como sendo homossexual, alegando que Kassab não possuia família, filhos, dentre outras coisas. Mais uma vez, me parece que algo ligado ao primeiro fato tem semelhança com este, eis aí o segundo alerta, mas vamos nos arriscar a continuar.
Por fim, indico o terceiro acontecimento, este já em âmbito mundial, e que ainda não cessou; refiro-me a disputa eleitoral a presidência dos Estados Unidos da América (EUA), onde ainda estão disputando, até o próximo dia 04 de novembro, o candidato democrata Barack Obama e o republicano John McCain, fato este que venho acompanhando com certa apreensão, visto que o número sufocante de notícias desse assunto não me deixarem em paz, notícias estas que colocam Barack Obama como alvo de uma série de acusações ao longo do tempo, advindas de seu adversário John McCain, sendo estas, dotadas de grande criatividade que vai desde acusação do envolvimento de Barack com o terrorismo, por ter vestido roupas do Islã, o Satã do Deus americano, até que este estaria antecipadamente furtando os americanos com a intenção de aumento de impostos de forma desenfreada e de ser louco pelo fato de querer retirar as tropas americanas do Iraque, dentre outras coisas. Mais uma vez algo me parece familiar o que aos leitores bem provavelmente um cheirinho estranho já está no ar ao lerem estas linhas.
Pois explicarei o que cheira mal. Cheira mal o fato de pessoas estarem supostamente envolvidas de qualquer forma ou grau com pessoas que estão sendo acusadas de recebimento de propina, superfaturamento de licitações, merendas escolares que mais parecem pratos de salmão defumado ou de lagosta ao uísque ou ainda um prato exótico como aqueles bichinhos que se mechem, os tais de mexilhões. Logo depois, nos deparamos com a ocorrência de um acidente de carro, algo que deveria ser objeto de espanto, mais que acabou figurando como algo um tanto quanto estranho e que não deve ter gerado desconfiança somente em mim, aliás, sou brasileiro e minha primeira reação é a desconfiança. Jairo Jorge ganhou e deu no que deu. Eis o primeiro fato.
O que continua cheirando mal e cheira muito mal, chegando ao ponto de putrefar é o preconceito da candidata a prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, em relação ao que até bem pouco tempo ela mesmo defendia, o homossexualismo e os interesses de quem opta por ele, colocando suas insinuações, sim porque nada se sabe a esse respeito de Kassab, à altura de seu equilíbrio e serenidade, que desastre. Como se os homossexuais não fossem pessoas, não pensassem, não tivessem atribuições louváveis e muito menos conhecimento e capacidade para exercer atividades complexas, saiu a candidata do PT fuzilando a todos. Deu no que deu, Kassab ganhou e eis ai o segundo fato.
Por fim, o dito maior e de maior relevância. O desespero de um candidato presidencial Americano, o tão menor quando comparado a Bush, o grisalho e cada vez mais grisalho de pavor John McCain, desesperado à beira de uma possível derrota, insinuando que seu adversário Barack Obama, negro, de família humilde, mas não menos qualificado e bem sucedido, usa seus grandes atributos e vasto conhecimento intelectual e acadêmico, juntamente com sua impecável formação para fins terríveis, como montar bombas, sim porque quem veste roupas islâmicas terrorista é, e porque não, se o permitir, uma barba postiça, para aí sim colocar seu plano de governo em prática, qual seja, destruir sua família, seus queridos amigos, dentre outros, usando para a compra de um dito aviãozinho, chamado intelecto, bem como o preparo de umas bombinhas de simpatia, bom humor, carisma, reivindicação e cansaço de coisas graves decorrentes de seu país como o racismo, para destruir duas torres gêmeas, a torre um (Bush) e a torre dois (McCain). Eis ai o terceiro fato.
As conclusões e as semelhanças de que me referi no início? São estas:
Estamos cansados de preconceitos, falcatruas, corrupção e de principalmente engolir sapos. Nós crescemos como pessoas, mesmo que através do sofrimento com tragédias e ofensas, mas crescemos muito, demais e cansamos. Que continue assim, com muito cansaço e crescimento, e que Barack Obama feche a conta.
E fechando a minha conta, gostaria de dizer que não tenho aqui interesses partidários, ideológicos, nem tão pouco quero difamar ou caluniar aquele ou outro, são fatos consumados, mais que fedem, fedem… e demais.
Texto: Marcelo Ferla.
Edição: Michelle Jefinny



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