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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A NOVA GERAÇÃO DE MONSTROS.


A NOVA GERAÇÃO DE MONSTROS.


por Antônia no Divã
Questionadora fervorosa das regras da vida. 
Viajante viciada em processo de recuperação. 
Entusiasta da escrita. 
Uma garota no divã figurado e literal. 
Eu queria vir aqui e falar sobre a leveza que nos traz um feriadão no Rio Grande do Sul, mas as nossas terras andam mais injustas e traiçoeiras que na época dos farrapos. 
Pessoas são alvejadas na luz do dia no saguão de aeroportos. 
Instituições públicas e privadas estão paralisadas em protesto. 
Violência por todos os lados. 
E quando pensamos que a violência parte daqueles rostos estranhos, surgindo de uma esquina escura qualquer, descobrimos que ela pode morar conosco, como no caso da corretora de seguros de Canoas, que teve a morte encomendada pelo marido. 
Mas de novo, a gente revisa os contatos da gente e jura que violência deste tipo é coisa dos outros, de gente desesperada, desestruturada, gente sem estudo. 
E mais uma vez se engana.
A nova geração de monstros tem MBA.
Não demorou muito para o WhatsApp pipocar com um novo caso de agressão a mulheres, destas tão comuns nos dias de hoje. 
Desta vez os personagens não eram o namorado traficante e a menina favelada, aquela garota que a nossa sociedade jura que “era problema, e tava pedindo para apanhar, já que gosta de bandido”,  tentando justificar a violência ou machismo nosso de cada dia.  Não. 
A alta sociedade da capital ficou em polvorosa porque a vítima e o agressor eram “dos nossos”. 
Um milhão de desculpas surgiram para justificar o injustificável: o menino de ouro meteu a mão na namorada. 
Até porque moramos no país em que 1/3 (SIM, UM TERÇO!!!) da população acha que violência contra a mulher é culpa da vítima
Agora imagina quando o agressor é um conhecido. 
E quando ele não mora na favela, mas é o vizinho no Mont Serrat?
Ele, garoto bonito, de família boa, educação superior, cargo importante em uma empresa. 
O dito “bom partido” pela sociedade. 
Ela, garota bem nascida, igualmente bem instruída, dona de uma beleza inquestionável. 
Reviso as fotos da agressão e me espanto. 
Não pude perceber se de fato a beleza era um dos atributos da vítima, pois ela estava coberta de hematomas. 
As escoriações cruzavam-lhe o rosto como se um animal tivesse-lhe atacado. 
Animal, uma besta irracional, um monstro. 
Pouco importa se era bonita ou não. Rica ou pobre. 
Era mulher, e isso já bastava para que alguém achasse que ela merecia.
O que mais me assusta é que os monstros já não são personagens das histórias que contavam para nós garotas, para que tomássemos cuidado na rua quando éramos mais novas. 
Lembro que meus pais falavam sobre o “homem do saco” que iria me levar se eu saísse do portão de casa sozinha, ou do “tarado do casaco”, que era um cara que todas nós temíamos, porque expunha o membro masculino desnudo embaixo de um sobretudo, quando voltávamos caminhando da escola. 
Recordo da época em que passei a temer homens estranhos, normalmente mais velhos, de aspecto questionável. 
Eu tinha pavor dos senhores que me encaravam, e que apresentavam o ar de sua monstruosidade sob a luz do dia. Bem, bons tempos quando conseguíamos distingui-los.
Hoje eles são amigos dos nossos amigos. 
Ele é o meu ex-namorado que torceu o meu braço, talvez o seu namorado que “bebe umas e fica um pouco nervoso”. Frequentam as mesmas praias e baladas. 
São aqueles que bebem uma Stellinha gelada ao nosso lado do bar, fumam um Gudang Garam que trouxeram da viagem da Indonésia, enquanto comentam sobre a nova academia de Cross Fit do Moinhos de Vento. 
Receberam toda instrução do mundo sobre respeito e igualdade, afinal são da geração dos “desconstruídos” (A-HAM), acham horrível o que acontece com as mulheres na Índia, mas aqui no Brasil mulher tem que apanhar mesmo. 
Jogam garrafas em transexuais ali na Farrapos. 
Eles têm grana para pagar camarote, como também advogados top de linha, que vão conseguir provar até a virgindade de suas mães.  
Tem diplomas de cursos importantes da PUCRS, pós na FGV, e uma extensão em alguma universidade gringa que lhes garante boas posições e um papo interessante. 
Eles são os caras que a gente acha que quer conhecer pela propaganda. 
Antes, é claro, de um deles meter a mão em uma de nós. 
E isso é assustador.
- Polícia é exagero, não vamos expor ninguém. Em briga de marido e mulher não se mete a colher.
- É o que se houve na maioria das vezes para justificar o não-envolvimento em casos de violência, e algumas das razões pelas quais apenas 10% das agressões são registradas. 
O medo e a vergonha são sentimentos mais fortes que a dor, isso a maioria das mulheres aprendeu na pele. 
E os agressores? 
A maioria segue intocável e conta com o apoio dos amigos. 
Alguns destes amigos ainda vão mais longe, promovendo o ódio e apoiando a violência, com áudios de salve no WhatsApp, comentando a alegria que a surra na garota promoveu em seu dia. 
Falando que homem é mais forte mesmo, e que as feministas têm mais é que fechar a boca e apanhar caladas. 
Nascidos em meio à política e gente importante – eles aprenderam o que é impunidade dentro de casa, junto de outras lições importantes, como administrar suas altas mesadas e fugir de suas responsabilidades, sempre que eles pisarem fora da linha.
A diferença do velho do saco e dos meninos bonitos que batem em mulheres, é que os monstros de antes a gente reconhecida de longe, e fazia questão de fugir. 
A polícia construía retrato falado dos violentos, registrava seus nomes em listas que ficavam expostas em delegacias. 
Os monstros de hoje seduzem com seus currículos, suas viagens caras e pintas de bom partido. 
Eles têm contatos em todo tipo de círculo influente, que mantém seus rostinhos lindos longe de toda a sujeira que promovem. 
Escondem-se sob um cobertor de altas cifras ou um retiro na Irlanda “até que as coisas se acalmem”.
Novidade para vocês, monstrinhos: boa reputação não se sustenta com comportamento monstruoso. 
Violência não é direito, porque tu tens conta Personnalité. 
A tua camisa Ralph Loren veste tão bem quanto a tua carapuça de covarde. Hipocrisia anda junto com teu sobrenome pomposo. 
E a gente, bonitões, bem, a gente vai fazer um escândalo. 
Nós vamos fazer um escândalo por uma, e por todas. 
É bom tomar cuidado – suas mascaras vão cair.
#NósVamosFazerUmEscândalo

P.S.: Se você se identificou e se ofendeu com as descrições contidas neste texto sobre bens, bairros, universidades e preferências, volte e leia o texto novamente, uma vez que o foco não é este. 
Se você se identificou e se ofendeu porque promove violência, eu estou pouco me lixando com sua ofensa.

post: Marcelo Ferla

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