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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Cinema.



Clint Eastwood pode ser um reacionário republicano estilo god bless américa + bandeira tremulante mas temos que dar o braço a torcer: seus filmes são cheios de humanidade. Gran Torino, Invictus, Cartas para Iwo Jima, Menina de Ouro, Os Imperdoáveis; todos filmes cheios de humanidade. E Eastwood consegue dar uma carga humana mesmo quando trata de violência, agressão, preconceito, segregação e – como é o caso de Sniper Americano – guerra.


Contando a história do atirador de elite mais letal do exército americano – Chris Kyle – o filme pisa no terreno perigoso da guerra do Iraque, começando em algum momento impreciso pré-11 de setembro e se estendendo até um momento impreciso da guerra.




Kyle é um texano cowboy semi-troglodita (provavelmente sem educação formal) com um histórico familiar que beira o abusivo (um pai que o ensina a atirar com rifles cedo na vida e que conta parábolas sobre como as pessoas ou são ovelhas ou lobos ou cachorros que cuidam das ovelhas e que ele não aceitaria nem ovelhas nem lobos na sua família nunca) e que acaba sendo atraído para a vida militar, com toda a sua disciplina e sem necessidade de raciocínio exclusivo, o que parece agradar o personagem de olhos sem expressão interpretado com excelente performance de Bradley Cooper. (Um azar de Cooper concorrer ao Oscar este ano, porque essa foi sua melhor atuação até então).


Talvez o mais interessante é que não fica claro se o filme é pró-guerra ou anti-guerra. A maioria do filme se passa durante as estadias de Kyle na guerra, e os momentos com sua família são raros. As cenas de assalto em casas e prédios são muitas e muito bem feitas, mas é nos momentos em que Kyle está deitado em algum prédio, com um rifle de longo alcance, mirando cidadãos iraquianos com armas e granadas que o filme fica grande. 

Ver seus alvos pelas lentes do sniper foi um recurso inteligente de Eastwood. Porque você fica em dúvida se quer que Kyle mate o menino iraquianio com uma granada nas mãos ou prefere que ele poupe a vida de uma criança ao custo de um pelotão de seus amigos. Fazer filmes sobre a II Guerra são infinitamente mais fáceis. Nós sabemos quem é o inimigo.


A decisão do que é certo e o que é errado fica totalmente no controle de nós, espectadores. O que Sniper Americano parece querer dizer é que vivemos em um mundo em que a violência vai acontecer, e não só vai acontecer como às vezes ela será necessária. O custo emocional dessa violência é o que está em debate.
O filme teve 6 indicações ao Oscar 2015: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som.

post: Marcelo Ferla

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