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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Admirável mundo torto.


Imagens de crianças imigrantes mexicanas presas em “gaiolas” nos EUA geram revolta.
Vanessa Martina
Senadores pediram ao presidente mexicano que exija de Barack Obama a garantia dos direitos dos jovens; fotos foram divulgadas por senador democrata
Somente no ano passado mais de 24 mil crianças mexicanas foram detidas ao cruzar a fronteira rumo aos Estados Unidos. Em 2014, o número pode ser superior a 60 mil, segundo estimativa do Departamento de Segurança Nacional. A situação dos jovens que são detidos nos EUA e dos que são deportados ao México é classificada por autoridades do país como “preocupante”.

Eles alertam que, se não houver uma política incisiva por parte do governo, a situação poderá se tornar uma “crise humanitária”.

A foto foi tirada por Henry Cuellar através de seu telefone celular
Os jovens que tentam cruzar a fronteira em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos sofrem diversos tipos de violência: física, psicológica e sexual. Os maus tratos sofridos por crianças detidas nos EUA ganharam especial atenção dos senadores do país. Jornais mexicanos reportaram neste domingo (22/06) que a Comissão de Direitos Humanos do Senado pediu que o presidente Peña Nieto exija do governo norte-americano o “respeito irrestrito à integridade e garantias fundamentais das crianças imigrantes que se encontram nos centros de detenção dos Estados Unidos”.
No começo do mês, o congressista democrata, Henry Cuellar, divulgou imagens de crianças mexicanas e centro-americanas presas em “gaiolas”, chamadas de refúgios temporários pelas autoridades norte-americanas, em um centro de detenção no Texas.
[Jovens detidos em situação precária na fronteira dos EUA com o México]
Após as denúncias, os senadores pediram ao presidente Peña Nieto que a embaixada em Washington realize as visitas necessárias aos centros de detenção para verificar o estado das crianças que chegaram sozinhas ao país.
A presidente da comissão, Angélica de la Peña, afirmou que os jovens deportados são alvo fáceis de organizações criminosas e redes de tráfico de pessoas que atuam na região de fronteira.
Angélica ressaltou que, se o governo mexicano não atuar com "decisão" e não adotar "estratégias articuladas" diante do possível aumento da chegada de crianças imigrantes na fronteira, o país viverá uma "crise humanitária".
Mulheres e crianças no centro de detenção; Texas pediu US$ 30 mi ao Departamento de Estado para conter crise na fronteira
Entre as violências sofridas pelos jovens estão as agressões físicas e sexuais. De acordo com a CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos), instituição da OEA (Organização dos Estados Americanos), foram registrados pelo menos 100 casos de abusos sexuais e físicos por agentes da fronteira contra menores.

Cemitério clandestino.

Muitos dos mexicanos que tentam cruzar a fronteira são mortos antes de chegar nos Estados Unidos. A quantidade de pessoas que morrem nesta situação, no entanto, é imprecisa, visto que muitos são enterrados em valas clandestinas.
Ontem, antropólogas independentes anunciaram a descoberta dos restos mortais de pelo menos 52 pessoas em fossas comuns no cemitério Sacred Heart (Sagrado Coração), no sul do Texas. Devido ao fato de que algumas ossadas foram armazenadas juntas, as investigadoras não têm o número preciso de quantas pessoas podem ter sido enterradas no local no último ano.
A descoberta foi feita nas últimas semanas pelas antropólogas Lori Baker, da Universidade Baylor, e Krista Latham, da Universidade de Indianápolis, e pelos estudantes de ambas como forma do esforço plurianual para identificar imigrantes que perderam a vida na região fronteiriça entre México e Estados Unidos.
Os restos foram encontrados dentro de sacos de lixo, como informou o jornal Corpus Christi Caller Times. Em 2013, foram encontrados 110 ossadas no local. Latham classificou a descoberta como “abominável”.
Mais de 300 pessoas morreram ao cruzar o condado Brooks de 2011 a 2013, o que corresponde a mais de 50% das mortes registradas no período ao longo do Rio Grande no Texas.

Marcelo Ferla
fonte: Opera Mundi

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