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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Cinema.


Filme revela imagens inéditas dos dias do golpe em 1964.
Longa conta história do sonho de família do interior destruído pela ditadura.
Renan Ramalho
Do G1, em Brasília

Militares golpistas se posicionam com tanques diante do Ministério da Guerra, no Rio (Foto: Jean Manzon/Divulgação 'O outro lado do paraíso')
Um conjunto preservado de filmagens até hoje inéditas dos dias do golpe militar de 1964 poderão ser vistas pelo público ainda este ano. As imagens, produzidas pelo cinegrafista Jean Manzon (1915-1990), mostram a tomada do Rio e de Brasília pelas Forças Armadas entre os dias 31 de março e 1° de abril, e integram o filme de ficção "O outro lado do paraíso", cujo lançamento está previsto para o segundo semestre (leia mais abaixo).
ESPECIAL "50 ANOS DO GOLPE MILITAR": a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, desencadeou uma série de fatos que culminaram em um golpe de estado em 31 de março de 1964. O sucessor, João Goulart, foi deposto pelos militares com apoio de setores da sociedade, que temiam que ele desse um golpe de esquerda, coisa que seus partidários negam até hoje. O ambiente político se radicalizou, porque Jango prometia fazer as chamadas reformas de base na "lei ou na marra", com ajuda de sindicatos e de membros das Forças Armadas. Os militares prometiam entregar logo o poder aos civis, mas o país viveu uma ditadura que durou 21 anos, terminando em 1985. 
O G1 assistiu a uma versão inicial do filme já montado, que inclui as cenas captadas pelas lentes de Manzon. Elas mostram a agitação popular com tanques cercando o Ministério da Guerra e a Esplanada dos Ministérios. O avanço dos militares faria o então presidente João Goulart (1919-1976) a tomar um avião para o Rio Grande de Sul, levando-o à deposição.
Embora revelados, os rolos nunca haviam sido projetados e foram encontrados pela produção do filme quase intactos, sob posse dos herdeiros do cinegrafista, famoso na época por produzir o "Jornal da tela", noticiário exibido nas salas de cinema antes dos filmes.
Coprodutor do longa, o escritor Luiz Fernando Emediato acredita que o próprio Manzon, na época um documentarista ligado a grupos de oposição ao presidente, tenha mantido as filmagens em segredo propositalmente.

No dia 1º de abril, tanque defende o Palácio da Guanabara, no Rio, onde estava o governador Carlos Lacerda, opositor de Jango e apoiador do golpe (Foto: Jean Manzon/Divulgação 'O Outro Lado do Paraíso')
"Possivelmente, quem estava filmando nem sabia direito o que era aquilo. Ele filmou de manhã, e imagino que só quando chegou a noite percebeu que era um golpe. Sendo ele um homem ligado às forças conservadoras, por que diabos ele ia, uma semana depois, com aquilo revelado, mostrar a truculência na rua? Falando francamente, o Jean Manzon autocensurou o seu rico material. E ele ficou dormindo lá 50 anos", diz Emediato.
Diretor de "O outro lado do paraíso", o cineasta André Ristum conta que se surpreendeu ao encontrar o material durante a pesquisa para montagem do longa. Além da qualidade técnica das imagens, ele destaca o olhar do cinegrafista, que registrava "com a alma" um evento que, naqueles dias, poucos ainda entendiam se tratar de um golpe de Estado.
"É um olhar muito interessado na reação das pessoas. A riqueza do material está nessa observação, uma coisa bem adequada e bem conectada com a surpresa e a curiosidade das próprias pessoas. Mas parece que nem ele está entendendo o que está acontecendo ali", aponta Ristum.

Tanques ocupam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, após a tomada de poder pelos militares (Foto: Jean Manzon/Divulgação 'O Outro Lado do Paraíso')
Sonho golpeado
Adaptação de um conto homônimo e autobiográfico do coprodutor Luiz Fernando Emediato, "O outro lado do paraíso" (veja imagens do filme mais abaixo) conta a história de uma família pobre do interior de Minas Gerais que tenta a sorte indo para Brasília e que, com o golpe militar, vê destruído seu sonho de prosperidade prometido nas reformas de Jango.
O desejo de enriquecer em Brasília começa a se desmanchar quando Antonio, sua mulher e os três filhos vão parar na vizinha Taguatinga, na época uma espécie de cidade-acampamento, onde viviam em casebres improvisados os operários que erguiam a nova capital do país.
O pesadelo se torna real a partir do golpe, quando o pai de família vai preso por se envolver no sindicalismo, acusado de estar a serviço da instalação do comunismo no Brasil, principal motivação do temor de grupos conservadores em relação ao governo Jango. 

Marcelo Ferla

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