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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Opinião do Blogueiro



O resultado.
Aqui no Rio Grande do Sul, mais um fato envolvendo vandalismo e depredação, gerou incompreensão por parte da comunidade da cidade de Eldorado do Sul, em Gravataí, ocorreu esta semana, deixando a todos os moradores do município espantados.
Quatro alunos de uma escola, após terem bebido, conforme assumido por eles mesmos em depoimento prestado na Delegacia de Polícia da cidade, atearam fogo na própria escola a qual estudavam a destruindo totalmente. Motivo: Não queriam ter aula no dia seguinte.
Os fatos mais revoltantes que envolvem o incêndio da escola, além do de muitas crianças e adolescentes ficarem um tempo sem aulas em decorrência da destruição de salas de aulas, dentre elas uma destinada a crianças especiais, se deu com a destruição pelo incêndio de todos os instrumentos da Banda que a escola possui e que vinha a muito se preparando para o desfile de 07 de Setembro.
Conforme declaração do delegado titular do caso, o mesmo pedirá a punição por meio de aplicação de medida sócio educativa dos quatro menores, com internação que pode durar até 03 anos em instituição da FASE.
Posto o caso devo salientar que a revolta e a comoção que fazem com que se deseje, de forma natural como reação, o pior aos menores infratores, não me surpreende, na medida em que se trata de opinião advinda de pessoas comuns e que são portadoras de senso comum para uma análise mais profunda do caso. A todos estes já digo de antemão, o furo é muito mais embaixo.
Lendo editorial que saiu no jornal desta quarta-feira, em texto intitulado “Não há culpados”, escrito por Anmol Arora, psiquiatra da ONG Mente Viva, disse esta, com propriedade, ser tal ato cometido pelos quatro menores, resultado de fatores já conhecidos da sociedade como violência, drogas, pobreza, falta de esperança, falta de amor, falta de limites, questões espirituais, etc, ou seja, a velha e eficaz fórmula que produz, como resultado final, um menos infrator.
Mas há um erro comum, não cometido pela psiquiatra em seu texto, mas pela sociedade como um todo ao se analisar fatos como estes, essencialmente quando esta se revolta contra tais atos que ocorrem desta forma e, como solução para tais, trazem fatores a serem discutidos como a diminuição da menoridade penal. A solução é cana!!!
Erram os defensores revoltosos de teses malucas como estas ao defende-las, eis que enxergam a sua frente fato ocorrido como sendo algo feito por pura maldade, crueldade, marginalidade, ou até mesmo, coisa de gente ruim mesmo, “sem-vergonhice”, como diriam os mais antigos. Não conseguem os de senso comum (maioria esmagadora), analisar tal ocorrência de ato desta natureza como resultado de uma série de fatores, como bem colocou a psiquiatra acima. Menores que cometem infrações desta natureza ou de natureza até mais violenta e cruel não se tornam marginais por opção ocupacional ou profissional e optam por esta vida por curtirem as coisas da “vida-loka”. Eles são o resultado e não o começo do que ocorre em uma sociedade de interesses difusos e confusos e, aí entramos em um terreno que pode ser considerado péssimo para alguns de se manusear, terreno este trabalhosos demais, inconveniente, que caracteriza mau negócio a muitos e, até arrisco dizer, mais conveniente na medida em que o mexer é inconveniente, de forma a ratificar que o destruir é muito mais fácil que o construir.
Pergunto a vocês: o que é mais fácil, barato, conveniente e saudável para o Estado e a sociedade que este representa, o investimento pesado, reto, comprometido e sério em educação, saúde, trabalho e uma estruturação social como um todo, para assim, diminuir a incidência de violência cometida por menores de idade ou a construção de mais e mais Instituições de privação de liberdade destes e, consequentemente, futuros presídios que serão ocupados pelos mesmos mais tarde?
Obviamente que a segunda opção, vez que é muito mais barato e fácil esquecer o problema existente, sendo que neste mesmo período no ano passado o índice de analfabetismo entre crianças era de 11,5%, conforme matéria vinculada na folha http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u593920.shtml, tudo resultado de décadas de descaso com a nossa juventude que vive na faixa da pobreza, atirando estes as instituições como a FASE e, futuramente, nos presídios, situação muito mais confortável do que a criação de uma estrutura que os tornem cidadãos do mundo.
Vale lembrar que essa segunda opção não convém ao sistema que se apresenta na sociedade brasileira. Exemplo disto eu tive dia destes, quando estava na fila da padaria, com seis pãezinhos quentes num saquinho e escutei uma senhora que sonoramente discursou:
“Se este menino que matou toda a sua família estivesse vivo e, estes pivetes maloqueiros que atearam fogo lá na escola daquela cidade tivessem que realmente pagar pelo que fizeram, deveriam mofar em um presídio, destes bem barra pesada, que largassem eles lá até a sua morte ou alguém deveria dar um fim neles, estes animais”.
Eis ai o senso comum de toda uma sociedade de um país que beira os 200 milhões de habitantes.
A situação nunca é pensada como o fim de uma série de fatores, mas sim, como o começo de algo que tem sim solução, mas que para ocorrer, deve deixar de ser na sua faceta mais cruel e injusta tão interessante a muitos e, quando falo a muitos, falo do sistema social e político de nosso país como um todo. Politicamente para que se mantenha a burrice do nosso cidadão não politizado e socialmente, para que se mantenham grandes engrenagens desta máquina que custa muito dinheiro à custa do suor de muitos coitados.
O Brasil demonstra ser extremamente despreparado, egoísta, conivente e oportunista com essa situação.
Enquanto não ocorrer de fato, como já disse, de forma séria, reta e comprometida uma forte e pesada estruturação social no Brasil, continuaremos sendo o país dos colonizados sendo comandados por um bando de colonizadores, só que agora, corruptores de seus próprios conterrâneos.
Precisamos urgentemente resgatar e descobrir talentos, aumentar u número de boas pessoas, pessoas de bem, educadas, polidas, com opinião, adequadamente estruturadas em suas vidas, para assim, termos um país com menos violência, onde as maiores vítimas são os próprios menores infratores, eis que de violentados, a possibilidade de se ter violência é infinitamente desproporcional ao resultado contrário.   

Marcelo Ferla  

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