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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Opinião do Blogueiro.


O IPEA acertou, mas depois errou. Será?
Ipea erra na pesquisa que está gerando o movimento "o corpo é meu e faço dele o que quiser, eu não mereço ser estuprada e afins". Ao invés de 65%, passamos a ter 26% de pessoas responderam que a mulher deveria se comportar melhor para evitar o delito estupro.

Shopia Costa.

Gabriela Barcelos

Camila

Thais
Vamos falar do maldito assunto que nos assolou durante estes últimos dias, a tal pesquisa do IPEA a qual, inicialmente, revelou que 65% de homens e mulheres disseram que sim “a mulher que não se comporta como uma dama em suas vestimentas em público ou na intimidade, atiça a selvageria primitiva masculina dos homens e, por isso, merece ser vítima de estupro e de outras violências contra ela.
Pois bem. Uma das primeiras coisas que aprendi na Universidade de Direito que frequentei por seis anos, já que na época usufruía de crédito federal (Creduc, hoje extinto) que me financiava 80% do valor total de meu curso, o que fez com que resolvesse adiar minha formatura (na época se formava em direito em 5 anos), tudo para sair o mais atualizado possível, eis que belas cadeiras, á época, haviam sido introduzidas no programa do curso, foi o fato de que toda, eu disse toda, pesquisa encomendada traz no seu resultado números favoráveis a quem a encomendou e, aqui, peço cuidado na interpretação do que estou escrevendo, não se precipite.
Uma das questões que não vi ser mencionada em nenhum texto, artigo, editorial de jornal ou matéria destes, foi a possível ligação de ser esta uma pesquisa com encomenda de cunho político, sim, político, mais específico de política de segurança falida.
Somos unânimes de que estamos vivendo momentos que beiram, se já não podemos assim considerados, um Estado de caos, calamidade, desumanização quando se fala e analisa a violência de toda ordem que nós cidadãos estamos sendo vítimas e, na qual se inclui com muita força, infelizmente, toda e qualquer tipo de violência contra a mulher, seja ela doméstica, na rua, em locais de festas por estas frequentadas, dentro de ônibus, enfim.
Posto isto, penso que do outro lado temos inúmeros exemplos de ineficácia do Estado para com estes problemas latentes, qualquer tipo de violência, que deixo á escolha e gosto de quem quiser optar, tudo em decorrência, na maior parte dos anos (os não eleitorais) da falta de atos mais coordenados, estruturados e, principalmente, ponderados (entenda-se aqui, dentro da legalidade e do poder de polícia dado às polícias pela CF/88), ou seja, trocando em miúdos, caímos, mais uma vez, por mais esforço que façamos, no poço sem fundo da impunidade, da propina, da corrupção e do estupro da segurança pública por quem lida com ela por meio de como essa deve ser aplicada e se essa é adequada e suficiente a cada caso.
Voltando a ligação que faço entre a pesquisa e a política, este raciocínio não exige muito para ser compreendido. A falência do Estado Federativo em relação à luta diária contra a criminalidade dá-se pelo fato de que, na medida em que ele, o Estado, perde, muitas das vezes de forma proposital, completamente, o controle sobre essa oferta de segurança, se torna muito cômodo a ele Estado, em todas esferas, independente da bandeira política que domina o poder, a opção muito interessante de jogar no colo do povo, especificamente do colo de nós homens e mulheres a culpa de sermos, de um lado, nós homens, possíveis iniciais 65% de psicopatas e, num segundo momento, no colo das mulheres, todas vagabundas que adoram se aproveitar de seus atos exibicionistas dos prazeres carnais e perigosos da atual sociedade provocando uma relação sexual  selvagem, tudo de forma generalizada, ofendendo a todos nós sem dó, a partir do momento em que a ração natural da sociedade é generalizar o fenômeno.
Todos nós homens seríamos tarados insaciáveis na cama que comem e depois matam e, todas as mulheres seriam putas na mesa e na cama e que amam apanhar, ser estupradas e depois se deixam perder a vida. No mínimo ingênuo e bizarro o raciocínio.
Como diria um dos psicopatas mais populares do mundo o arqui-inimigo de Batman, o Coringa: “Introduza um pouco de anarquia. Perturbe a ordem vigente e então tudo se torna um caos. Eu sou um agente do caos. E sabe, a chave do caos é o medo!”.
Traduzindo o que diz o ilustre personagem de quadrinhos, ele, aqui no caso, seria o governo e seus tentáculos, mecanismos de introdução do caos e, logo depois deste do medo e, por fim, a revolta generalizada.
Como estamos em um período eleitoral, a fórmula é bastante eficaz, primeiro se solta o vírus fatal, para depois deste, disperso no ar, atingir um grande número de vítimas inocente que morrem, daí o caos. Logo depois deste se apresenta a vacina que cura a doença fatal em poucos minutos, criando-se o grande Deus da salvação, o governo.
Basicamente é o mesmo raciocínio que nos deparamos quando vemos o filme cult “V de Vingança”, onde um tirano, chanceler de Londres, lança um vírus que mata milhares de pessoas e desfigura o anti-herói mascarado do filme, para logo depois, trazer através de laboratórios de sua propriedade envoltos em uma teia de intrigas políticas e autoritárias, vender a vacina que salva a vida dos que conseguiram se safar.   
A pergunta que me faço é porque em um momento tão específico como o ano eleitoral vem a tona uma pesquisa que sei lá de onde veio, como foi feita e se é que foi feita. Entendam bem, com isso não me torno um machista cego que acha que realmente a mulherada não pode usar vestidos modelo panicat, nem tão pouco um homem que pensa que a mulher deve servir ao homem, mesmo que este não seja o seu homem, na verdade, em casos específicos não consigo definir qual deles é pior para a mulher. A violência contra a mulher é sim uma triste e traumática realidade que está ai para qualquer ser racional aceita-la, para assim, lutar contra esta, o que critico aqui é o real fim desta pesquisa por trás de um país que está se acostumando a gritar quando de barbaridades sociais, mas não posso me omitir por meio de uma análise que julgo superficial em decorrência de determinadas coincidências, até porque não acredito em coincidências.
Depois de tudo isto, ainda querem que eu acredite em pesquisas em um país que diz não ter conhecimento de uma refinaria que não funciona e foi comprada pela bagatela de 1,2 Bilhões de reais. Acredito sim, que acontecimentos como o escândalo da Petrobrás tentem ser objeto de esquecimento com pesquisas desta natureza que tem como objeto um assunto que já é de domínio da sociedade desde a época em que Maria da Penha, de tanto apanhar de seu marido, ficou paraplégica.  
Ah por favor, acreditar em pesquisas em um país e em uma emissora de televisão (Rede Globo) que divulgou o assunto amplamente e que tem em seu histórico a eleição de Fernando Collor, e que, ao se tocar da cagada que tinha feito criando seu monstrinho, incentivou o mesmo povo que inicialmente iludira para o eleger a decretar o seu impeachment, o retirando do poder do país.
Infelizmente digo a vocês que números e fatos são manipuláveis e o brasileiro, por falta de hábito de informação e a busca por esta, para assim, ter uma ideia mais polida e bem formada a respeito das coisas que acontecem a seu redor, acaba se tornando presa fácil do manipulador por trás de determinados acontecimentos e pesquisas direcionadas.
Reitero o que disse, sou contra e não acredito na pesquisa por tratar-se esta de fardo jogado nas costas do povo, por ser manobra política em ano eleitoral, como tantas outras que virão, como as falsas ocupações e pacificações que nunca existiram nas comunidades do Alemão, Rocinha e agora a comunidade da Maré.
Por que tudo isto não aconteceu muito antes, por que em período eleitoral? Acho que estamos começando a entender o sistema.
Caso não acreditem, achando que estou incorrendo em exagero subam o morro e perguntem a família do pedreiro Amarildo se eles são crentes e estão felizes com a Instalação e o que ocorreu dentro do contêiner da UPP naquela noite fatídica.
Pesquisas, e restou comprovada nesta estapafúrdia do IPEA, são direcionadas, são feitas com idosos, pessoas de baixa escolaridade, baixa faixa econômica, adolescentes que já são eleitores, enfim, a exemplo de todas já feitas com contendo assuntos de problemas sociais, esta também passou muito longe de ser uma pesquisa retilínea, completa. Foi sim a instalação da doença medo, pavor, para depois a mulher maravilha Dilma, descer de seu avião invisível e por fim ao problema, coisa que não existe. O que existe é a sua queda nos braços do povo para mais quatro anos de caos, ameaças, instalação de pânico e, depois disso, a apresentações de soluções que mais parecem reboco de segunda.
Mais do que isso, ao ser dada a notícia por uma repórter a Leilane Lopes, que ancorava o Jornal da GloboNews das 18:00, essa se indignou quando a mesma complementou a informação de que a diferença entre os 26% que realmente acham que a mulher deve se "comportar" e que colabora quando "não se comporta de forma devida, usando vestidos curtos" incitando o cometimento do delito estupro em relação aos 65% iniciais, responderam que sim, gostam de apanhar em casa por que gostam. Em resumo 39%, mais uma vez em sua maior parte mulheres, gosta de apanhar do seu homem para não ter maiores problemas, por favor!!!
Completamente válida a indignação da jornalista, ao vivo, eis que a declaração de que a maioria dos entrevistados (mais que a metade deles foi de mulheres) concorde que é bom e gostam de apanhar dos maridos, companheiros ou seja lá o que estes forem dentro do lar, e que em briga de marido e mulher não se mete a colher (58% concordou).  
Por fim a resposta de um questionário para que não restem dúvidas:
Você é a favor de que as mulheres são culpadas quando violentadas pelos homens? Não.
Você concorda que em briga de marido e mulher não se mete a colher, mesmo que esta esteja sendo vítima de violência domestica? Não. Se mete sim, o pé na porta e se prende o agressor.
Você acha que as mulheres de uma forma geral, por usarem roupas curtas, saltos altos, unhas pintadas e longas, belos pés cuidados, perfumes importados e, estas, serem na sua maioria independentes, provocam os homens com estas atitudes a ponto de serem vítimas de crimes como o estupro? Não.
Você acha que 65% e depois 26% das pessoas entrevistadas acreditam que grande parcela dos homens tem atitudes vulgares e ofensivas contra as mulheres e até mesmo violentam estas? Não.
Você acha que 65% e depois 26% das mulheres agem, se vestem e pensam como ninfomaníacas ao sair na rua procurando estupradores em lugares ermos, usando roupas que provocantes e que os homens que convivem em sociedade com estas as violentam das mais variadas formas? Não.
Você acha que esta pesquisa foi manipulada para fins de interesse político? Sim.
Você acha que a violência contra a mulher é um exagero como fenômeno social? Não.
Você acha que a política de segurança dos Municípios, Estados e DF é insuficiente e não efetiva no combate a violência sofrida pela mulher? Sim.  
As mulheres são realmente as maiores vítimas nesse tipo de situação? Sim.
Depois de colocar meu ponto de vista espero que tenham entendido que vivemos em um país de marionetes articuladas por espertalhões que violentam e estupram sim a paciência e o esforço de um povo que não atura mais exageros, atrasos, desencontros, mentiras e manobras escancaradas para estes, os políticos, serem eleitos novamente. Convido a todos que lerem este texto que reflitam não no sentido de que a mulher realmente tenha que se ferrar por sermos machistas, mas que certos fatos concretos de nossa sociedade a muito esquecidos surgem como que mágica á frente dos olhos do povo e um período por demais duvidoso.
O que deveria, sim, era este assunto ser tratado com a seriedade que merece 365 dias do ano, e não unicamente em anos eleitorais.
p.s – este blog é completamente contra qualquer tipo de exploração da mulher e de qualquer ser humano em prol de poucos que vivem entre tantos e que estão no poder deste país que ainda cheira a leite para certos assuntos.


Marcelo Ferla 

Um comentário:

  1. Reflexão lúcida e necessária, que devemos nos fazer. Aliás, a política de segurança pública fracassa não apenas no combate à violência sofrida pela mulher, mas a todos os seus cidadãos. Infelizmente a mulher é a primeira da fila.

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