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sábado, 1 de fevereiro de 2014

Mulheres admiráveis.


A luta continua
Casal Félix e Niko protagonizou primeiro beijo gay do horário nobre da Globo
Cláudia Laitano
claudia.laitano@zerohora.com.br
Sim, a novela era fraquinha e talhada para o esquecimento. Sim, beijo gay, em 2014, nem deveria ser assunto. Sim, pessoas do mesmo sexo já se beijaram na TV antes, inclusive em novelas.
Quem acordou neste sábado incomodado com o fato de que não se fala de outra coisa nas redes sociais deve levar em conta, porém, que a história não se faz apenas com grandes fatos. Às vezes, basta um símbolo, uma imagem, para que os acontecimentos realmente importantes venham a reboque.
Em um Brasil que ainda luta para aprovar uma lei contra a homofobia, no país da violência contra mulheres e gays, da desigualdade e do atraso, um beijo no último capítulo de uma novela da Globo pode ser a mais eficiente campanha pela tolerância que se poderia querer.
Quando a atração mais popular da televisão brasileira leva aos rincões mais atrasados do país a mensagem de que a pauta moral da sociedade em relação à homossexualidade está mudando (ou já mudou), de alguma forma se torna mais difícil repetir os mesmos preconceitos de sempre como se isso fosse apenas natural - sejam os argumentos religiosos ou não.
Mais significativo do que ver dois homens se beijando, foi ver que os personagens eram os mais queridos da novela e que boa parte do público não apenas queria o beijo gay, mas estava torcendo por ele. (Em algumas ruas, era possível ouvir a comemoração dentro das casas, como se fosse final de campeonato.)
Na luta pela evolução dos costumes, às vezes damos dois passos para frente e um para trás. Para cada conquista, há sempre um Feliciano ou um Adroaldo remando contra a maré. É do jogo. Por isso todas os avanços devem ser celebrados antes que as energias voltem a se ocupar da resistência contra os inevitáveis surtos de reacionarismo.
Hoje o dia é para comemorar, sim, uma vitória que não é apenas dos gays e dos que lutam contra homofobia, mas de todos os homens e mulheres que sonham com um país mais justo e menos atrasado.

texto. Claudia Laitano
fonte: Zero Hora


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