quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Budismo.



Se alguém refletir genuinamente sobre renúncia, não se trata de desistir de coisas externas como dinheiro, deixar a casa ou a família.
Isso é fácil. 
A renúncia verdadeira é abrir mão de nossos queridos pensamentos, de todo nosso deleite nas memórias, esperanças e devaneios, nossa tagarelice mental. 
Renunciar a isso e ficar nu no presente, isso é renúncia.
O fato é que dizemos que queremos a iluminação, mas na verdade não queremos. 
Apenas porções de nós quer a iluminação: o ego que pensa como isso seria bom, confortável e prazeroso. 
Mas realmente abandonar tudo e ir atrás? 
Poderíamos fazer isso em um instante, mas não fazemos.
E a razão é que somos muito preguiçosos. 
Ficamos paralisados pelo medo e letargia — a grande inércia da mente. 
A prática está lá. 
Qualquer pessoa no caminho budista certamente conhece essas coisas. 
Então, como é que não estamos iluminados? 
Não temos ninguém para culpar a não ser nós mesmos.
É por isso que ficamos no Samsara(ciclo de nascimentos e mortes), porque sempre achamos desculpas. 
Em vez disso, devemos nos despertar. 
Todo caminho budista é sobre despertar. 
Ainda assim, o desejo de continuar dormindo é tão forte. 
Independente de quanto dizemos que iremos despertar para ajudar todos os seres sencientes, na verdade nós não queremos isso. 
Gostamos de sonhar.

Tenzin Palmo

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