O homem diante da morte.
Livro
do historiador Philippe Ariès investiga o tema
| Editora Unesp 837 páginas R$ 118 tradução - Luiza Ribeiro |
Em "O homem diante da
morte",
Philippe Ariès investiga o comportamento humano diante da morte ao longo do
último milênio nas sociedades ocidentais.
A partir de uma perspectiva histórica, sociológica e até mesmo psicológica, ele analisa textos literários, inscrições lapidares, obras de arte, diários pessoais para mostrar que as atitudes em relação à morte, própria e dos outros, foram se transformando, de modo quase imperceptível, no decorrer do tempo, até se tornarem irreconhecíveis em relação aos séculos anteriores.
A comparação entre a morte familiar e "domesticada" da sociedade cristã medieval e a morte repelida, percebida como negação absoluta e tornada oculta da Era Contemporânea, dão a medida justa dessa mutação.
A partir de uma perspectiva histórica, sociológica e até mesmo psicológica, ele analisa textos literários, inscrições lapidares, obras de arte, diários pessoais para mostrar que as atitudes em relação à morte, própria e dos outros, foram se transformando, de modo quase imperceptível, no decorrer do tempo, até se tornarem irreconhecíveis em relação aos séculos anteriores.
A comparação entre a morte familiar e "domesticada" da sociedade cristã medieval e a morte repelida, percebida como negação absoluta e tornada oculta da Era Contemporânea, dão a medida justa dessa mutação.
Ariès levanta uma hipótese
para a pesquisa, monumental, e a enriquece gradualmente propondo por fim a
existência de uma correlação entre a atitude do homem diante da morte e a consciência
da individualidade, agregando ainda outras três variáveis.
Questões psicológicas ao
estudo: a defesa da sociedade contra a natureza selvagem e a crença na
sobrevivência e na existência do mal.
A obra mostra que a
trajetória humana em torno da morte não tem continuidade temporal, pois velhas
atitudes sobrevivem a novos modelos.
Contudo, na Era Medieval o modelo predominante é o da morte como membro das comunidades, que conduz os homens a uma espécie de sono.
Em seguida, vem à tona o indivíduo e impõe-se a noção de sobrevivência da alma, a sede da individualidade.
Contudo, na Era Medieval o modelo predominante é o da morte como membro das comunidades, que conduz os homens a uma espécie de sono.
Em seguida, vem à tona o indivíduo e impõe-se a noção de sobrevivência da alma, a sede da individualidade.
Num segundo momento, que
vai do século 16 ao século 18, a morte até então domesticada e contida, é
liberada, retorna ao estado de selvageria e passa a provocar fascínio e medo.
É somente no século 18, segundo Airiès, que a morte adquire um sentido dramático e passa a ser encarada como transgressão, por "roubar" o homem de seu cotidiano e sua família - trata-se agora de olhar para a morte do outro.
É somente no século 18, segundo Airiès, que a morte adquire um sentido dramático e passa a ser encarada como transgressão, por "roubar" o homem de seu cotidiano e sua família - trata-se agora de olhar para a morte do outro.
Nos anos seguintes a morte
se transformou, aos poucos, em tabu, sua proximidade passou a ser ocultada do
moribundo.
Mas foi a partir dos anos 1930 que a medicina mudou a representação social da morte: morre-se agora em hospitais, não mais em casa, e a vida pode ser estendida, ainda que de forma vegetativa, por meses e anos.
Mas foi a partir dos anos 1930 que a medicina mudou a representação social da morte: morre-se agora em hospitais, não mais em casa, e a vida pode ser estendida, ainda que de forma vegetativa, por meses e anos.
Sobre o autor
Philippe Ariès (1914-1984)
nasceu em Blois, França.
Além de historiador, foi jornalista e ensaísta.
Coordenador da coleção História da vida privada, é autor de obras de grande repercussão, como História social da criança e da família e Sobre a história da morte no Ocidente.
Além de historiador, foi jornalista e ensaísta.
Coordenador da coleção História da vida privada, é autor de obras de grande repercussão, como História social da criança e da família e Sobre a história da morte no Ocidente.
Herdeiro da Escola dos Annales é considerado um dos pioneiros no campo de
estudo das mentalidades.
post: Marcelo Ferla
Fontes:

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