Unicórnios existem
Me respondeu “unicórnio!”
quando perguntei o que queria ser quando crescesse.
Me deixou engasgado quando
me pediu um de natal.
Voltou pra casa indignada quando os amigos da escolinha
riram ao ouvir qual era seu animal favorito.
“Não existe!”, disseram.
Calma,
filha.
Vamos colocar aqui no Google: “unicórnios de verdade”.
E ali estavam.
Fotografias de unicórnios de verdade.
Até eu fiquei impressionado.
Me disse:
“Vamos imprimir e levar pra escola e esfregar na cara deles!”.
Melhor não,
filha.
Se eles estão desinformados, o problema é deles.
Quando fez cinco anos
começou pela primeira vez a duvidar das coisas.
Fez uma lista de presentes de
Natal (basicamente, presentes que a irmã mais velha tem e não empresta) e
quando eu disse “Quanta coisa! Coitado do Papai Noel!”, ela ficou me encarando,
olhinhos brilhando, sorriso maroto.
“Coitadinho do papai...”, falou rindo, como
se quisesse dizer “eu sei o seu segredo”.
Meu segredo é que eu quero
que ela acredite em coisas, mas me recuso a mentir.
Nunca direi: “Papai Noel
não existe”, mas também não vou garantir que é realmente ele que entrega os
presentes.
Certamente, há mais do que os olhos vêem.
Um mundo sem imaginação é
também um mundo triste demais.
Esses dias, estávamos no
taxi e apareceu um arco-íris.
Foi o maior e mais próximo arco-íris que já vi na
vida.
Pedimos pro táxi parar e, debaixo da chuva fina, ficamos no meio da rua e
tiramos uma foto perto dele.
Foi engraçado e emocionante.
Quando voltamos pra
dentro do taxi a Aurora cochichou, pra ninguém ouvir: “Unicórnios existem”.
Claro que sim, filha.
Enquanto você acreditar.
post: Marcelo Ferla
texto: Marcos Piangers

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