domingo, 21 de maio de 2017

David Coimbra.



Temer identificou que existe revolta contra os irmãos Batista, da JBS, e partiu para o contra-ataque. 
É uma estratégia inteligente. 
Afinal, os Batista são delatores exatamente porque são criminosos. 
Ou seja: não terão a simpatia de ninguém. 
Colocar-se como oposto deles será sempre positivo.
Para ajudar sua tese, há a questão da adulteração da gravação. 
Fica evidente que houve malícia de Joesley Batista em seu encontro com Temer. Foi, claro, uma cilada.
O problema é que mesmo o que resta da gravação é péssimo para Temer. 
O presidente da República não pode ouvir o que ouviu de um empresário e manter-se impávido, sem reação alguma.

Só municiado de muito cinismo alguém pode afirmar que a conversa de Temer e Joesley foi natural. 
Ao contrário, o diálogo provou o que se tem visto na Lava Jato: que a relação entre poder e dinheiro, no Brasil, é mais do que promíscua - é obscena.

post: Marcelo Ferla
texto: David Coimbra

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