"Com as mãos cruzadas
no colo, deixou os olhos se perderem na vastidão do mar, deixou seu olhar
resbalar, anuviar-se, fragmentar-se na monotonia da imensidão deserta.
Amava o
mar por razões profundas: pela necessidade de repouso do artista exausto que, assediado
pela multiplicidade das aparências, deseja descansar na simplicidade, na
imensidão e por um pendor proibido, diametralmente oposto à sua tarefa, e por
isso mesmo tentador, para o indiviso, o desmedido, o eterno, para o NADA.
Repousar na perfeição é o anseio nostálgico daquele que se esforça para
alcançar a excelência; e o nada não é uma forma de perfeição?"
(Thomas Mann, em Morte em
Veneza).
post: Marcelo Ferla

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